O número de diagnósticos de câncer cresceu em Minas e em Montes Claros no ano passado. De acordo com dados do Painel Oncologia, em todo o Estado foram registrados 44.160 novos casos da doença em 2019, número 16% maior que os 37.840 notificados em 2018.

Já a maior cidade do Norte de Minas apresentou 975 novos casos em 2019, o que representou um crescimento de 19% em relação aos 813 registros de 2018.

Números que alertam para a necessidade de mudanças de hábitos de vida que podem prevenir o surgimento da enfermidade. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), um a cada três casos da doença poderia ser evitado pela redução ou eliminação de fatores de risco como, por exemplo, tabagismo e obesidade.

Atividades físicas, cuidados com a exposição ao sol e alimentação saudável com frutas, vegetais e hortaliças frescos, evitando alimentos ultraprocessados, também podem ajudar a evitar o câncer.

Nesta semana em que foi celebrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer, em 4 de fevereiro, especialistas alertaram para a necessidade de mais cuidados com o corpo.

A médica oncologista Deborah Cotrim, da Associação Presente, alerta que, além da prevenção, outras medidas são indicadas para evitar a doença. 

“Quando diagnosticado precocemente, as chances de cura são mais altas. E medidas preventivas, como cessar o tabagismo, reduzir a ingestão de álcool, praticar atividade física regularmente e dieta balanceada diminuem as chances do desenvolvimento de câncer”, explica a especialista.

O hábito de realizar atividade física faz diferença na prevenção do câncer. Não é preciso frequentar academia ou procurar um esporte de impacto ou grande esforço físico. Vinte minutos de caminhada por dia, por exemplo, são recomendados pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

“A prática de atividade física melhora a imunidade do corpo e reduz a produção de mediadores inflamatórios, fenômenos que minimizam as mudanças celulares e, consequentemente, os riscos de desenvolvimento da doença. Estudos mostram que a atividade física regular reduz de fato o risco de desenvolvimento de câncer de mama, cólon e endométrio”, explica o oncologista Duílio Rocha Filho, ligado à SBOC.

Segundo nota distribuída pela sociedade médica, 30% a 50% dos casos de câncer podem ser prevenidos a partir de mudanças no estilo de vida. Em pesquisa feita pela SBOC em 2017, com 1.500 pessoas, em todo o país, metade declarou que não faz exercício físico. Uma em cada quatro pessoas entrevistadas não vê a obesidade como problema relacionado ao câncer.
*Com Agência Brasil 

Mama e próstata lideram registros 
Os casos de câncer no Norte de Minas englobam também dados do Sul da Bahia, já que Montes Claros é referência no tratamento da doença. Quando se leva em conta apenas os atendimentos realizados pelo SUS, os hospitais Dilson Godinho e Santa Casa atendem, juntos, uma média de 2 mil pacientes por mês.

Os cânceres mais comuns em Montes Claros são de mama, com 113 novos casos em 2019, próstata (65), cólon e reto (67), estômago (33) e traqueia, brônquios e pulmão (20).

Enquanto o câncer de mama teve aumento de 10% de 2018 para 2019, o de próstata reduziu 38% no mesmo período em Montes Claros.

Mesmo assim, de acordo com levantamento do Inca, no Brasil, estimam-se 65.840 novos casos de câncer de próstata para cada ano do triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 62,95 casos novos a cada 100 mil homens. 

Para o câncer de mama, o levantamento estima que serão 66.280 novos casos no mesmo período, com média de 61,61 novas ocorrências a cada 100 mil mulheres.

Nesta semana, as ações de conscientização sobre a doença chamaram a atenção para a divulgação de informações a respeito de prevenção e controle do câncer. O Inca aponta ainda que, 7,6 milhões de pessoas no planeta morrem em decorrência da doença a cada ano.

Dessas, 4 milhões têm entre 30 e 69 anos. O instituto afirma ainda que estima-se que 1,5 milhão de mortes anuais por câncer poderiam ser evitadas com medidas adequadas e que a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é reduzir em 25% os óbitos por doenças não transmissíveis até 2025.

Somente entre a população infantojuvenil são esperados 8.460 novos casos por ano, de 2020 a 2022. A maior incidência pode ocorrer entre meninos, com 4.310 novos casos por ano