Depois de uma alta no número de diagnósticos de câncer de mama em 2019, causada pela adoção de um novo protocolo de acolhimento de casos suspeitos da doença, Montes Claros sofre uma espécie de efeito colateral da pandemia de Covid-19, com queda nos registros da doença.

Em 2018, 83 mulheres descobriram o tumor, uma média de 6,9 por mês. No ano seguinte, com as novas medidas, houve um salto nos registros (114), com média mensal de 9,5. Em 2020, primeiro ano da pandemia, o balanço recuou para 85 casos (média de sete por mês) e este ano, até agora, são 6,5 - praticamente a mesma média de quatro anos atrás. 

O câncer de mama é o tipo de tumor que mais afeta as mulheres. Em 2019, a instituição do Protocolo de Alta Suspeição pelo Governo do Estado possibilitou o fechamento do diagnóstico de forma mais ágil, diz Ludmila Gonçalves Barbosa, referência técnica regional da Área Temática Saúde da Mulher e da Criança, da Superintendência Regional de Saúde. “Já em 2020, é perceptível o impacto da pandemia no número de detecção de casos”, diz. 

Desde 2012, a Lei 12.732 assegura que, detectado o câncer, a paciente tem o direito de se submeter ao primeiro tratamento no SUS em até 60 dias, contados da data em que for confirmado o diagnóstico em laudo patológico. A chance de cura é superior a 95% quando o câncer é diagnosticado precocemente.

“A realização da mamografia nas mulheres assintomáticas preferencialmente na faixa etária de 50 a 69 anos, bianualmente (uma vez a cada dois anos), é uma ferramenta essencial para essa detecção precoce. É importante que as mulheres, principalmente nesta faixa etária, procurem as Unidades Básicas de saúde para que o exame seja solicitado pelo enfermeiro ou médico do serviço. A Atenção Primária é a porta de entrada para toda a rede de serviços relacionados ao diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Ressalta-se que no SUS todas as mulheres, independentemente da faixa etária, podem realizar a mamografia, desde que a necessidade seja avaliada por um profissional médico”, pontua Ludmila.

Glorinha Mameluque é um exemplo da importância de se manter otimista diante da situação. Em 2020, ao fazer o autoexame da mama, ela notou que havia algo estranho e imediatamente procurou um mastologista. Confirmado o diagnóstico, ela iniciou o tratamento e está prestes a ter alta.

“O câncer não é mais uma sentença de morte. Tem tratamento, tem cura, desde que seja descoberto e tratado no início. Continuo em tratamento oncológico e quero lembrar a todas as mulheres que quanto mais cedo o diagnóstico, mais cedo a cura. Estou seguindo todas as recomendações e lembro que o ‘Outubro Rosa’ existe para conscientizar todas as mulheres que elas podem fazer o auto-exame. O tratamento precoce evita muitas mortes. O de mama é o que mais mata, mas tem cura, tem tratamento, existe vida após o câncer, então é muito importante atentarmos a isso”, declara Glorinha.
 
PREVENÇÃO
“É uma doença com múltiplos fatores de risco. Não podemos controlar todos esses fatores, mas cerca de 30% dos casos de câncer de mama poderiam ser evitados com hábitos de vida saudáveis, como a prática regular de atividade física, manter uma alimentação balanceada e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas”, alerta a mastologista Carolina Lamac, reforçando que o “Outubro Rosa” é uma campanha certeira e quanto mais se fala sobre a doença, maior a chance de salvar vidas.

Em Montes Claros, são realizadas mamografias nos hospitais Universitário Clemente de Faria, Aroldo Tourinho, Dilson Godinho, Santa Casa e Prontosocor. Também há duas Unidades de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), uma no Hospital Dilson Godinho e a outra na Santa Casa, ambas referência para toda Macrorregião de Saúde Norte.