Ricardo Barbosa/ALMG

Dilson Júnior participou da audiência
pública promovida pela Comissão
de Saúde da ALMG
 


Diagnóstico tardio e redução dos exames de mamografia estão entre os fatores que contribuem para o crescimento do número de óbitos por câncer de mama nas cidades do interior do Estado. Segundo Dilson de Quadros Godinho Junior, diretor-presidente da Fundação de Saúde Dilson Godinho, referência no tratamento de câncer no Norte de Minas, aliados aos atrasos dos repasses dos tratamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e prejuízos com o custeio do tratamento, são fatores que preocupam e merecem uma atenção especial dos órgãos públicos de saúde. O câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres.

Semana passada, os fatores relacionados com o atraso do diagnóstico e do tratamento, foram tema de audiência pública promovida pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Dilson Godinho participou da reunião, na qual foram apresentados dados atestando que menos de 60% dos casos existentes de câncer de mama são diagnosticados tardiamente.

Os dados da Sociedade Brasileira de Mastologia mostram que em 2014, cinco capitais apresentaram redução na mortalidade por câncer de mama em decorrência do aumento de programas de rastreamento mamográfico, entre elas Belo Horizonte. Em contrapartida, no interior de Minas Gerais, bem como no interior de quase todo o País, houve aumento das mortes por este tipo de câncer por conta do diagnóstico tardio da doença.

Dilson Júnior, que é médico obstetra, lembra que o diagnóstico tardio diminui as chances de cura, além de que o custo de tratamento de uma doença em estado avançado é superior a qualquer política que tenha como foco o diagnóstico precoce.

- Debatemos que o rastreamento mamográfico é fundamental para oferecer a essa população o diagnóstico precoce, com menor mutilação, melhor capacidade de tratamento e menor custo do ponto de vista orçamentário. E a crise que todos os hospitais estão passando nos últimos anos por conta da defasagem da tabela do SUS pode comprometer o atendimento -afirmou.