SÃO PAULO – Mais da metade dos brasileiros (51%) está incomodada com alguma parte do corpo. É o que mostra pesquisa realizada em 18 países, com mais de 14 mil pessoas de 21 a 75 anos. E essa insatisfação tem levado a um aumento da demanda por procedimentos estéticos realizados. Tanto que 86% dos médicos entrevistados no Brasil acreditam que o total de intervenções irá aumentar nos próximos 12 meses. No levantamento anterior, apenas 50% consideravam essa expansão.

O cenário apresenta uma mudança de comportamento frente a esses tratamentos pela população, que hoje aceita melhor o assunto. Porém, também desperta uma importante questão: a difusão de conhecimento sobre as práticas não pode ser sinônimo de banalização das intervenções. Os procedimentos precisam ser feitos por profissionais capacitados e com o uso de produtos certificados e de boa qualidade.

Para o cirurgião plástico Ricardo Boggio, membro especialista e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a disseminação de informações nas redes sociais, buscadas por 39% dos brasileiros para pesquisas sobre beleza, é um agente complicador dentro dos consultórios.

“É muito comum os pacientes chegarem com a informação que captaram na internet. Temos que ter delicadeza para trazer essas pessoas para a realidade. Muitos querem os procedimentos para ficarem parecidas com alguém, uma beleza inatingível. Precisamos desconstruir aqueles conceitos, às vezes incorretos, para construir os certos”, observa o médico.
 
PODER DA WEB
O levantamento, executado pelo Instituto Ipsos a pedido da farmacêutica Allergan no último trimestre do ano passado, reforça esse poder da internet na difusão de dados ligados à estética e beleza, mas alerta para a presença de conteúdos falsos e sem embasamento científico. De acordo com a pesquisa, feita on-line, ferramentas de busca e mídias sociais são a fonte de informação de 85% dos entrevistados, que consultam primeiro a web para depois ir a um especialista.

Segundo Boggio, a busca pela beleza deve ser acompanhada da preocupação com a saúde. “O procedimento médico para um preenchimento facial é o mesmo realizado por um cardiologista, sempre verificando o histórico do paciente e entendendo o estado de saúde dele naquele momento”, coloca.

A dermatologista mineira Lígia Colucci, membro da Sociedade Internacional de Dermatologia, acredita nessa análise para o sucesso de uma intervenção no rosto ou no corpo. “O paciente vem aberto para contar da vida, expor as motivações. É importante entender esses desejos e expectativas, mostrando a ele que o que é melhor para o outro não necessariamente é para ele”, explica.

Além disso, a médica destaca a relevância na procura adequada por um profissional capacitado. “Saber a formação do médico é essencial. O número de seguidores que ele tem no Instagram não é prova da capacidade ou mesmo de credenciamento nas técnicas”, adverte a dermatologista.
*Viajou a convite da Allergan