A partir desta quinta-feira (21), os postos de saúde de Minas Gerais vão começar a imunizar bebês com idades entre 6 e 11 meses contra o sarampo. A “dose zero”, como está sendo chamada a dose extra da vacina, será aplicada para evitar o surto da doença, que já fez 1.680 vítimas no Brasil.

Apesar de o Estado não ter registrado epidemia da enfermidade – segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), neste ano quatro casos foram confirmados e 51 estão em investigação –, o Ministério da Saúde recomendou que todos os estados imunizem os menores de 1 ano. Em Minas, a meta é vacinar 130 mil bebês com a “dose zero”.

Pelo calendário regular, a primeira dose é aplicada aos 12 e 15 meses. Mas a dose extra, considerada pelo governo federal como medida preventiva, não substitui as demais previstas no Calendário Nacional de Vacinação.

“A vacinação de rotina das crianças deve ser mantida independentemente de a criança ter tomado a ‘dose zero’ da vacina”, explicou a SES.

Assim, além da dose extra que será aplicada agora, os pais e responsáveis devem levar os filhos para tomar a vacina tríplice viral (D1) aos 12 meses de idade (1ª dose) e, aos 15 meses, para receber a tetra viral (2ªdose) ou tríplice viral + varicela. Além do sarampo, a vacina tríplice viral previne também contra rubéola e caxumba.

Conforme a secretaria, o Estado já tem no estoque quantidade suficiente para imunizar os bebês. “Sendo assim, não há a necessidade de campanha para a realização da vacinação”, informou a pasta.
 
JOVENS ADULTOS
Além dos bebês, outro público que preocupa o ministério é o de jovens adultos. A pasta destacou a necessidade de pessoas de 20 a 29 anos regularizarem a vacinação contra o sarampo – o grupo tem coeficiente de incidência de 9 casos para cada grupo de 100 mil, mais que o dobro da média nacional.

De acordo com o Ministério da Saúde, pela rotina de imunização estabelecida, pessoas com até 29 anos já deveriam ter recebido duas doses contra o sarampo. Já quem tem entre 30 e 49 anos deve ter tomado pelo menos uma dose.

Situação crítica no Norte
Pais não devem deixar de levar os filhos menores de 1 ano para receberem a proteção extra contra o sarampo em Montes Claros. O risco de um surto na região é alto porque o índice de imunização está muito abaixo do preconizado pelo Ministério da Saúde.

Como O NORTE mostrou na edição do dia 14 de agosto, menos de 40% dos moradores dos 53 municípios sob a responsabilidade da Unidade Regional de Saúde de Montes Claros, de 1 a 29 anos, já tomaram as duas doses da vacina tríplice viral, necessárias para a imunização.

Quando se analisa o público de até 49 anos, com apenas uma dose recebida, o índice sobe para 67%, mas ainda fica muito abaixo da meta de 95%.

A situação é ainda mais alarmante entre os jovens de 20 a 29 anos – menos de 2% receberam as duas doses da tríplice viral, única maneira de se prevenir contra sarampo, rubéola e caxumba. 
 
SOBRE A DOENÇA
O sarampo é uma doença viral, infecciosa aguda, grave, transmissível, altamente contagiosa e comum na infância. Começa inicialmente com febre, manchas avermelhadas pelo corpo, sintomas respiratórios e oculares. Também incluem tosse, coriza, rinite aguda, conjuntivite, fotofobia (aversão à luz) e manchas de koplik (pequenos pontos esbranquiçados presentes na mucosa oral). 

A transmissão ocorre de pessoa a pessoa por meio de secreções presentes na fala, tosse, espirros ou até mesmo respiração.