O avanço da vacinação contra a Covid-19 já produz impacto na mortalidade causada pela doença e na ocupação de leitos nas unidades de tratamento intensivo (UTI) em todo o país. A conclusão é da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada nesta semana em edição extraordinária do Boletim Observatório Covid-19. 

Apesar da manutenção de níveis altos de transmissão da doença, em um patamar estável mas ainda mais elevado que o do ano passado, os pesquisadores observaram queda na incidência de mortes. 

A razão para esse descolamento nas tendências, segundo o boletim, pode ser explicada pela vacinação dos grupos de maior risco e exposição, como idosos, portadores de doenças crônicas e profissionais de saúde.

“Hoje, a cobertura vacinal dentro desses grupos é mais ampla em relação ao restante da população. Ao mesmo tempo, a circulação de novas variantes do vírus pode aumentar a sua transmissibilidade sem que isso represente, no entanto, um aumento no número de casos graves com necessidade de internação”, diz um trecho do estudo.

O boletim mostra que, entre 20 e 26 de junho, foi mantida uma incidência média de 72 mil novos casos de Covid-19 por dia no país, o que representa uma oscilação de -0,2% ao dia em relação à semana anterior. Já a mortalidade média foi de 1,7 mil vítimas por dia, o que corresponde a queda diária de 2,5%.

Apesar da redução no número de óbitos, que chegou a uma média de 3 mil por dia no pico da pandemia, a Fiocruz ressalta que a mortalidade ainda é considerada muito alta e “não permite afirmar que haja qualquer controle da pandemia no Brasil”.
 
MONTES CLAROS
A queda no número de casos confirmados e de mortes também pode ser observada em Montes Claros desde abril. O pico de ocorrências neste ano foi em março: 7.968 novos casos e 292 óbitos registrados somente em um mês. Desde então, os números vêm caindo consideravelmente, fechando junho (até dia 29) com 2.906 novos casos e 44 mortes.

Na cidade, quase 100% dos idosos e dos profissionais de saúde já receberam a primeira dose e vários grupos prioritários têm cobertura superior a 60%.
 
LEITOS
Sobre a internação de casos graves da doença, os pesquisadores destacam que as taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS), observadas no dia 28 de junho de 2021, mostram quedas expressivas em alguns estados.

“A vacinação começa a dar sinais de resultados positivos de forma mais sensível com a ampliação da cobertura de grupos etários de menos de 60 anos. O estudo verificou também que a situação dos leitos de UTI – que atingiu o nível máximo de sobrecarga e colapso em meados de março de 2021 – parece ir se consolidando em patamares melhores, ainda que em cenário de predominância de algum alerta, requerendo cuidados para evitar nova piora”, diz um trecho do boletim.

Segundo o levantamento, oito unidades da federação (UF) estão com mais de 80% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados, o que é considerado cenário de alerta crítico. O grupo de UFs em alerta crítico é o menor desde o boletim de 1° de fevereiro, quando sete estados estavam nessa situação.

No pior momento da pandemia para a ocupação de leitos, em 15 de março, o país chegou a ter 24 estados e o DF em situação crítica simultaneamente.

*Com Agência Brasil