Com a disparada de casos de gripe, que têm inclusive sobrecarregado o sistema público de saúde, farmácias de Montes Claros registram alta procura e até falta de antivirais e antibióticos. Em alguns casos, o estoque está zerado há semanas.

A dificuldade das empresas para repor os remédios foi admitida, inclusive, pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF). A reportagem de O NORTE fez contato com unidades da cidade e, segundo vendedores, a procura chegou a triplicar nos últimos dias.

“Percebemos que o estoque que tínhamos programado para seis semanas acabou em apenas duas semanas. Realmente foi uma venda fora dos padrões e, como foi uma demanda geral, não estamos conseguindo fazer a reposição de forma muito rápida”, afirma Luís Fernando Maia de Bastos, farmacêutico na Farmácia Real. 

A situação se repete em Belo Horizonte, onde até mesmo as grandes redes, como Araújo e Pacheco, confirmaram a alta procura. Na Araújo, a amoxicilina (antibiótico) 400mg já está em falta em algumas unidades.

O uso, no entanto, só deve ser feito após indicação de um médico, reforça o infectologista e professor da UFMG Unaí Tupinambás. “Em relação ao uso de antibióticos, como amoxacilina e azitromicina, lembramos que na grande maioria dos quadros infecciosos das vias aéreas, gripe, resfriado, Covid e H3N2, não está indicado o uso desses medicamentos. Esse uso abusivo de antibióticos está induzindo o aparecimento de bactérias multirresistentes”.

A falta de medicamentos se estende para farmácias de outras cidades, como aponta a presidente do Conselho Regional da categoria (CRF-MG), Júnia Célia de Medeiros. Ela afirma que percebeu a corrida às farmácias, e destaca que a boa orientação nas lojas pode ajudar no encaminhamento dos pacientes.

“O farmacêutico, como profissional de saúde, além de orientar para o uso racional e correto dos medicamentos, deve alertar para os cuidados específicos e para a busca de atendimento em unidade de saúde”, explica.
  
ALTA DEMANDA
Dados divulgados pela RD – Raia Drogasil, responsável pela Droga Raia, apontam que, no país, “desde o início de dezembro, a demanda por produtos de combate aos sintomas de gripe cresceu muito, chegando a triplicar em alguns casos, no comparativo com o desempenho observado nos últimos 90 dias”.

A situação é semelhante em redes como Ultrafarma e Pague Menos. Segundo dados divulgados pelo CFF, “a venda de antigripais neste início de janeiro e fim de dezembro chega a ser 142% maior do que no mesmo período de 2021” para a Ultrafarma, enquanto a Pague Menos informou ter observado “aumento relevante nas vendas de produtos da categoria gripes e resfriados em novembro e dezembro de 2021, comparadas com o mesmo período de 2020”.

Na Farmácia Real, em Montes Claros, a situação não é diferente. “Os antibióticos já estavam em falta desde o segundo semestre do ano passado. É bem provável que as fábricas já estavam tendo algum tipo de dificuldade de produção”, afirma Luís Fernando. Já os antigripais, completa, têm sido muito vendidos desde dezembro.

Outras farmácias da cidade foram procuradas, mas não responderam.