A depressão afeta mais de 320 milhões de pessoas no mundo, ou seja, 4,4% da população, segundo relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018. O Brasil é o país responsável pela maior taxa da doença na América Latina: 5,8% dos habitantes sofrem com este mal.

Desde 2015, o mês de setembro é dedicado à campanha de prevenção ao suicídio, o “Setembro Amarelo”. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 90% dos óbitos por suicídio estão ligados a doenças como depressão, distúrbios por uso de substâncias, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.

Muitas pessoas acreditam que o uso de medicamentos é a única forma de tratamento do problema. No entanto, há um importante aliado em todo o processo: a atividade física.

Um estudo realizado pela Universidade de Toronto, no Canadá, constatou que praticar atividades físicas de 20 a 30 minutos por dia pode afastar a depressão a longo prazo.

De acordo com o coordenador do curso de Educação Física da Funorte, Cássio Dantas, a atividade física entra como uma parcela importante de ajuda no tratamento da depressão.
 
MELHOR HUMOR
“À medida em que a pessoa pratica atividade física, passa a movimentar todos os sistemas, como o endócrino, que é responsável por liberar dois hormônios essenciais: a endorfina e a dopamina, apresentando influência direta sobre o humor das pessoas. Dois tempos de 15 minutos, pelo menos três vezes na semana, de atividade física já surtem efeito na vida de qualquer pessoa”, disse.

“Andar, correr, nadar, de preferência em locais abertos, trazem inúmeros benefícios, como aumento de energia, motivação, diminuição da raiva, da tensão, da confusão mental. Esses hormônios acabam sendo reguladores dessas questões nas pessoas. Enquanto alguns remédios trazem efeitos colaterais e consequências, dependendo do nível de cada um, a atividade física se destaca pela inexistência desses efeitos”, completou o professor.

Na avaliação de Cássio, o educador físico é um profissional de saúde apto a trabalhar com pessoas de todas as condições, inclusive com aquelas que passam por depressão e ansiedade. “A formação acadêmica e humana desse profissional o deixa apto para dialogar e poder escolher qual o melhor tipo de atividade para cada indivíduo repensar a saúde e hábitos”.
 
DIVISOR DE ÁGUAS
Jorge Antônio dos Santos, de 29 anos, diagnosticado há quatro anos com depressão, encontrou na atividade física uma importante aliada no tratamento. “Há alguns meses pratico musculação todos os dias e pude notar uma melhora mais significativa na disposição mental e mais ânimo para realizar outras atividades. Os efeitos colaterais dos remédios se confundem com os sintomas da depressão e a atividade física foi um divisor de águas. Tenho notado a cada dia uma melhora no quadro depressivo e no humor”, avaliou.

Ele conta que chegou a tomar mais de cinco remédios diferentes. “Hoje faço uso de apenas dois, aliados à atividade física”, disse.