Indolor, sem radiação ou contato físico. Um aparelho criado no Brasil pode ajudar de forma simples e rápida a identificação precoce do câncer de mama, doença que mais mata mulheres no Brasil. Em 2021, a estimativa é a de que ocorrerão 66.280 novos casos, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Criado no projeto “Linda”, o dispositivo funciona por meio da termografia, técnica não invasiva que usa o calor emitido pelo corpo (raios infravermelhos) para visualizar e registrar os padrões das mamas.

O método é capaz de ajudar médicos a identificar lesões, favorecendo o diagnóstico precoce. A avaliação dura poucos minutos e a imagem é encaminhada imediatamente para o médico, permitindo que ele visualize e quantifique as mudanças na temperatura da pele das pacientes.

O aparelho não oferece qualquer risco à saúde da mulher e reduz o número de exames complementares e biópsias desnecessárias.

“A descoberta do câncer no estágio inicial aumenta a probabilidade de cura. Hoje, a taxa de sobrevida da doença está entre 45% e 50%. Detectado, essa taxa sobe para mais de 90%”, explica o sócio do projeto, Rodrigo Victório.

O novo exame é indicado também para mulheres abaixo de 40 anos. “A incidência do câncer em pacientes mais jovens vem aumentando em todo o mundo. Antes dos 40, os seios podem ser mais densos e deve ser feito ultrassom das mamas e axilas, além da mamografia ou até ressonância, em alguns casos. Assim, o projeto chega como mais um aliado do diagnóstico precoce”, reforça a oncologista clínica e membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Aline Chaves Andrade.
 
COMO É O EXAME
O diagnóstico feito pelo aparelho é simples. Para realizá-lo, a mulher precisa ficar em repouso por 15 minutos no consultório para harmonizar a temperatura do corpo com a do ambiente.

Em seguida, é feita a captura de imagem térmica das mamas e enviada ao servidor central do equipamento, que avalia os dados e fornece uma análise em poucos segundos.

É importante ressaltar que o exame não substitui a mamografia tradicional, mas auxilia os médicos a entenderem a fisiopatologia da mama.

O procedimento ainda não está no rol de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), mas a empresa vem trabalhando para que isso se torne realidade. “Nosso objetivo é que isso aconteça ainda em 2022”, conta o sócio do projeto.
 
PROJETO PILOTO
Um teste do aparelho foi realizado no último mês em São Joaquim de Bicas, a 46 km de Belo Horizonte. Durante o período, 835 mulheres foram avaliadas gratuitamente graças a uma parceria da prefeitura com o projeto “Linda”.

A iniciativa surgiu há cinco anos e a operação comercial teve início em 2020. No Brasil, o projeto está em operação gratuita em mais de 14 cidades dos estados de São Paulo, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba.

* Especial para o HD