A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou e já foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) o registro de um novo teste para a detecção da Covid-19 100% brasileiro.

Desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o teste foi batizado de Kit Elisa Covid-19 IgG. Ele é baseado no método Elisa – sigla, em inglês, para ensaio de imunoabsorção enzimática.

Entre outras características, está o fato de o teste mineiro ser mais sensível para detectar o novo coronavírus do que os exames rápidos, o que evita falsos negativos.

O novo teste é rápido e de baixo custo porque consegue detectar as variantes do novo coronavírus mais presentes no Brasil e no mundo: as brasileiras (P1, mais conhecida como a variante de Manaus, e P2), a B.1.1.7 (inglesa) e a B.1.351 (africana).

O kit, que tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCT-V) e da RedeVírus do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informações (MCTI) – que repassou cerca de R$ 10 milhões para a pesquisa –, foi integralmente desenvolvido pelo Centro Tecnológico de Vacinas da UFMG (CT Vacinas). Após os primeiros resultados positivos obtidos na UFMG, o material foi validado por outros laboratórios brasileiros, que procederam a análises independentes e emitiram laudos comprovando a boa performance.

Segundo o MCTI, o escalonamento e produção estão sendo realizados pela Bio-Manguinhos da Fundação Oswaldo Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde.
 
TECNOLOGIA NACIONAL
Com a proposta do CT Vacinas da UFMG, os pesquisadores buscam nacionalizar a tecnologia de diagnóstico. Segundo Flávio Fonseca, professor do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) e pesquisador do CT Vacinas, essa é uma necessidade “absolutamente premente”, já que a maior parte dos testes sorológicos para Covid-19 existentes no Brasil foi importada, e a testagem da população é um dos maiores gargalos para o controle da epidemia no país.

“Como o mundo inteiro demanda insumos para combate à Covid-19, os processos de importação podem durar meses. Portanto, a produção de testes em massa no Brasil é estratégica para que sejamos independentes nesse aspecto”, destaca o pesquisador.

*Com Agência Brasil e UFMG