Sete ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram abandonadas em um pátio de quartel do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, localizado na avenida Viriato Ribeiro Aquino, Bairro Canelas II, fundos da Rodoviária de Montes Claros. As viaturas, na verdade furgões adaptados pela Iveco para o serviço de urgência, estão sucateadas e descaracterizadas, com símbolos dos governos federal e municipal apagados.

As imagens feitas dentro das unidades deixam muito claro que vários equipamentos e peças dos veículos estão espalhados, enquanto algumas ambulâncias sequer têm motor. O que deveria ser estrutura para socorro de pessoas em situações extremas, com materiais e equipamentos de última geração, tudo para facilitar o acesso a pacientes, não passa hoje de um amontoado de veículos com lataria em situação precária. 
 
PREÇO MÉDIO 
O Samu Macro Norte, primeiro regionalizado no Brasil, foi procurado pela reportagem de O NORTE em novembro para falar sobre o cemitério de ambulâncias em que se transformou a unidade do Bombeiro Militar. Desde então, as viaturas, cujo preço médio no mercado é de R$ 150 mil por unidade, estão cada vez mais arruinadas, com mato tomando conta do estacionamento, animais pastando ao redor. Nessa semana, a reportagem de O NORTE voltou a questionar se existe previsão para que sejam recuperados e/ou leiloados os veículos, fazendo contato com a assessoria de imprensa do Samu. Questionou-se ainda quais cidades estariam em situação mais crítica diante dos nítidos reflexos da falta de estrutura e manutenção dos veículos, impossibilitados de prestar assistência. 

Em nota sucinta, o Samu Macro Norte, responsável pelo atendimento a 86 municípios da região, em área de 122 mil quilômetros quadrados, alegou que “as ambulâncias que se encontram alocadas no bairro Canelas não pertencem ao Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas (Cisrun)”. Explicou que “embora tenham a logomarca do Samu, são veículos inservíveis, que já perderam a utilidade e aguardam trâmite burocrático relacionado à transferência para leilão”. Entretanto, não revelou de quem é a responsabilidade sobre a frota arruinada.