
Na última semana, candidatos a cargos eletivos em 2026 estiveram em Montes Claros. Primeiro, foi o candidato à presidência Augusto Cury (Avante), que se reuniu com apoiadores e participou de encontro com o setor produtivo na Sociedade Rural, entre outras reuniões. O candidato, que declarou em entrevista em rede nacional que vai utilizar drones no combate à violência doméstica, fez uma fala diferente em Montes Claros. Na cidade, a sua fala relacionou a crise de saúde emocional ao uso excessivo de tecnologias. Ele também chamou atenção para as mudanças que a inteligência artificial e robótica poderão provocar no mercado de trabalho nos próximos anos.
Já no último sábado (29), o Mercado Municipal Christo Raeff voltou a ser o centro das atenções políticas com a visita do governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição. Antes dele, o candidato à presidência Romeu Zema (Novo) também escolheu o mercado para iniciar campanha política. Em coletiva no local, Simões falou sobre propostas, entre elas, a da descentralização da saúde. “Temos no Norte cerca de 50 cidades que não têm cobertura completa de PSFs [Programa Saúde da Família]”, observou. Para isso, disse Mateus, é preciso construir UBS em cada uma das cidades, e isso ainda não foi feito. O candidato apontou ainda possíveis soluções para o setor de emprego, com foco nas mulheres vítimas de violência doméstica, e falou sobre “trabalhar com o governo federal a duplicação das BR-251 e BR-116”. Questionado sobre segurança pública, cujas bases na cidade têm sido desativadas exatamente no momento em que a criminalidade se mostra mais ativa, Mateus ressaltou que tem uma dinâmica diferente e defende “mais policiamento nas ruas”.
CONTRASTE
Além dos deputados e prefeitos da região aliados do governo, chamou a atenção de populares uma equipe da prefeitura que se encontrava em peso no local desde as primeiras horas da manhã. Secretários e servidores que ocupam cargos de confiança se aglomeraram no estacionamento e acompanharam Mateus em caminhada no mercado. Para o feirante J. S., a cena gerou indignação. A reclamação do feirante é a de que a prefeitura teria tomado cuidado para o governador percorrer apenas uma ala indicada por eles e que não mostra a realidade. “Por que não levam o governador para ver a situação do ponto de ônibus e do restaurante popular? Fizeram ele passar pelo outro lado para não ver a vergonha que cerca a gente aqui”, desabafou.
Do lado de fora, a reportagem confirmou a reclamação dos feirantes e frequentadores do espaço. “Eu acho que está degradante a situação que a gente está vivendo aqui. Não tem ninguém que faça nada pela gente”, disse Leonardo Rodrigues, que aguardava a condução em pé, debaixo de uma cobertura metálica que está desabando. A familiar C.R., que o acompanhava e solicitou para não ser identificada, ratificou a opinião e destacou ainda que “esse tipo de situação é que faz a gente enxergar que eles não fazem nada para o povo. Estou descrente e indignada. Há tempos essa situação ocorre aqui. Por que não trazem as autoridades aqui nesse pedaço para ver o que realmente a gente vive?”, lamentou.
A precariedade do espaço foi denunciada por O NORTE em junho de 2026. Na ocasião, a Prefeitura de Montes Claros foi questionada sobre o abandono da obra do antigo Restaurante Popular, que deveria abrigar um ponto de apoio da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e do Núcleo de Atenção Jurídica (Naju).
Quatro anos após o anúncio, o local continua abandonado, com lixo, animais peçonhentos, focos de dengue, mau odor e registros de violência. A placa com o valor da obra e o prazo de execução foi coberta pela Prefeitura, que também não informou o destino do serviço.
O ponto de ônibus ao lado também permanece em condições precárias, sem assentos, sujo e com estrutura comprometida. Segundo a Prefeitura, a responsabilidade é da MOCBUS, que foi procurada, mas não respondeu até o fechamento. Nesta segunda-feira (31), O NORTE voltou a questionar a Prefeitura sobre os dois locais. Até o fechamento da edição, não houve resposta.
