
O vereador Oliveira Lêga causou desconforto ao acusar a Câmara de “corrupta”, depois de ver rejeitado, por 13 votos à 9, projeto de sua autoria que alteraria o regimento interno da Casa.
Pela norma atual, a chamada de vereadores é feita no início da reunião, antes do início da Ordem do Dia, na verificação de quorum, na eleição da Mesa e na votação nominal. Já o projeto apresentado, n°11/2017, propõe que a chamada seja feita também no final da 2ª parte da Ordem do Dia, e que o vereador que “se ausentar da reunião antes de concluída a segunda parte da Ordem do Dia, não terá computada sua presença”. A maioria dos vereadores entendeu que Lêga foi infeliz na sua colocação e que o desgaste poderia ter sido evitado.
“A função do vereador é legislar democraticamente. Ninguém é dono de ninguém e eu continuarei votando conforme a minha consciência”, disse Ildeu Maia.
Ildeu acha que o colega deve rever sua posição. “A ouvir isso de alguém que é vereador e pertence a uma corporação respeitada, que é a policia militar, é muito pesado. Estou aqui há 25 anos e tenho compromisso. O projeto não altera nada. No lugar dele, eu faria uma retratação”, considerou.
Valdeci Contador também achou “inadequada” a fala do colega. “Ele disse coisas que não deveria. Não sou corrupto e tenho certeza que os outros, assim como ele, também não são. Compareço a todas as reuniões e achei desnecessário o projeto”, disse.
Lêga afirmou a O NORTE que não vai se retratar. “Sustento até o fim o que falei e se for preciso vou à tribuna e falo novamente”.
Moradores reprovam
Quem presenciou o embate entre vereadores na Câmara Municipal se assustou com a cena. Alguns abandonaram o plenário antes do encerramento. Foi o caso de Rubens Ramos, morador do Conjunto Santos Dumont, que ocasionalmente comparece às reuniões. “A gente vem aqui pra acompanhar e cobrar dos vereadores um trabalho pra população. Ter uma Câmara que promove cenas como essa é inadmissível, decepcionante”, disse.
Alex Sandro Pereira, outro assíduo na Câmara, também criticou a confusão. “Acho que a fala do vereador não foi muito legal e ele deve se retratar para não gerar mais complicação”.
Cláudio Prates, presidente da Câmara, pediu a apuração dos fatos pela Comissão de Ética. O vereador Oliveira Lêga, que é membro da comissão, foi substituído no chamamento pelo suplente, Junior Martins. “Solicito ao conselho que analise a possibilidade de crime de decoro parlamentar. Ao jogar isso para a população, dá-se a impressão de que é uma prática corriqueira e isso nunca aconteceu nesta Casa. Ele terá que provar o que falou e, se não, sofrerá as sanções”, declarou Cláudio.