Eduardo Brasil
Repórter
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O deputado estadual e ex-prefeito de Montes Claros, Tadeu Leite – PMDB lamenta a caótica situação que as administrações que o sucederam na prefeitura impuseram, desde 1997, aos moradores do Bairro Cidade Cristo. Ele lembra que o conglomerado de casas, que teve origem ainda nos anos setenta, sob o governo de Pedro Santos, na sua gestão mereceu a atenção administrativa necessária, quando vários problemas foram enfrentados.
Tadeu Leite diz que seus sucessores contribuíram para o aumento dos problemas sociais no conglomerado Cidade Cristo Rei
(foto: Wilson Medeiros)
- Assumi a prefeitura com recursos do programa Cidades de Porte Médio, bancado pelo Banco Mundial, deixados pelo meu antecessor, Toninho Rebelo. Com os recursos, investimos no local buscando primeiramente descaracterizá-lo como uma favela.
Tadeu observa que foi feita a urbanização do local, possibilitando que os moradores tivessem melhores condições de vida a partir do abastecimento de água e da distribuição de energia elétrica, do calçamento de ruas e de outros serviços importantes.
- Infelizmente nenhum outro prefeito deu continuidade a esse trabalho e o Bairro Cidade Cristo Rei sofreu uma regressão altamente maléfica do ponto de vista social. Por isso, a violência e a criminalidade se instalaram com tal força naquela região, transformando-a numa das mais críticas da cidade, que hoje é a quarta mais violenta do estado de Minas Gerais.
PLANTÃO POLICIAL
Para Tadeu Leite, que é vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da assembléia legislativa de Minas Gerais, as medidas sinalizadas na audiência pública deverão amenizar em curto tempo os problemas enfrentados pelos moradores do Bairro Cidade Cristo Rei.
- Paralelo a essas medidas devemos apressar a instalação, no miolo do conglomerado, de um posto policial fixo com serviço diuturno, com plantão de 24 horas – acrescenta o ex-prefeito, ressaltando não ser adepto das batidas policiais eventuais que mais causariam transtornos, alvoroço entre os moradores que resultados que inibam a violência no local.
Ele também rechaça a discriminação que os moradores vêm sofrendo, por se tratar de um bairro onde a maioria esmagadora das pessoas merece todo o respeito da sociedade e que são tratadas de forma pejorativa quando lembradas de que residem no famigerado Feijão Semeado.
- Eu conheço e sei que se trata de um povo ordeiro e trabalhador, e que não merece o preconceito a que está submetido por conta de uma minoria marginal e da inoperância do poder público municipal.
PRECONCEITO
Ainda de acordo com Tadeu Leite, o preconceito vivido pelos moradores do conglomerado Cristo Rei se repete também em outros bairros pobres, da periferia, como no Bairro Cidade Industrial, pejorativamente conhecido como Coberta Suja e onde a violência e a criminalidade também estão presentes em grande escala.
- São dois bairros pobres, mas com a maioria de sua gente honesta, o que não ocorre muitas vezes em bairros tidos como ricos, onde muitos jovens sofisticados ajudam a difundir a violência através do consumo de drogas, contribuindo para o aumento do tráfico na cidade. O preconceito também é um problema a ser combatido – concluiu o deputado.