Márcia Vieira
Repórter
A Câmara Municipal promoveu reunião extraordinária para votar dois projetos do executivo. Ambos, cercados de polêmica. Um deles, concede gratificação de R$ 100 aos membros da comissão de análise de multas da Empresa Municipal de Planejamento e Gestão e Educação em Trânsito e Transportes de Montes Claros (MCTrans), por participação em cada reunião.
O outro projeto, n°34 de 22 de maio de 2017, aprova o reajuste para o servidor municipal em 5%, valor que fica abaixo da inflação, que foi de 7%. Os vereadores votaram unanimemente a favor do projeto, com exceção de três deles, que são também servidores do município e por regra não podem votar.
Um deles é Wilton Dias, que não concorda com os valores, mas apoia o voto favorável dos colegas em socorro aos servidores: “Fiz tudo que podia para mostrar ao prefeito que o índice não era suficiente, mas infelizmente não conseguimos mudar a proposta. Não houve discussão com a categoria. Eram 5% ou nada”, disse.
A servidora Jaqueline dos Santos corrobora a fala do vereador: “Nossa situação é crítica. Antes pouco do que nada”, declara.
O presidente do sindicato dos servidores municipais, Flávio Célio Oliva, avalia que há 15 dias, enviou um ofício ao prefeito como última tentativa para discutir o assunto, mas não houve resposta. “O prefeito fechou as portas para o sindicato. Ele não nos recebe”. Flávio declara que gostaria de saber quem é o “pai da maldade”, que definiu o valor:
“O reajuste não dá nem para o café que ele tirou dos servidores. É insignificante” diz Flávio.
O representante dos servidores, pretende reunir a categoria no próximo mês para pleitear um adicional e pedir pagamento retroativo, como medida paliativa, pois para ele a votação foi prematura.
“Essa pauta nem deveria ter ocorrido hoje, porque o projeto tem que passar por apreciação. Se foi enviado esta semana para a câmara, deveria estar nas comissões e não ter entrado imediatamente em votação”, reclama.
Outra insatisfação de Flávio Célio é quanto ao retorno do executivo nas demandas apresentadas.
“Não responder virou um hábito muito comum do prefeito e secretários. A administração está definitivamente fechada ao diálogo”, reitera.
Falta diálogo na prefeitura
O vereador Valcir da Ademoc votou a favor do reajuste de 5 % para os vereadores, mas se diz “condoído” com o que aconteceu. Ele destacou que o atual governo só estaria “ocupando o cargo devido aos compromissos selados em campanha e o maior deles seria a valorização do servidor”.
O parlamentar revelou que não entende a posição do prefeito: “De imediato, ele dispensou 500 vigias e retirou todas as gratificações e bonificações que o servidor recebia. Então fez uma economia muito grande. Agora, manda para esta Casa um reajuste abaixo da inflação? Não dá para entender”, diz.
O artigo 2° do PL diz que “o reajuste não se aplica aos agentes políticos e aos servidores que tenham seu vencimento vinculado ao salário mínimo”. Deste modo, estão excluídos, entre outros, os servidores da limpeza pública, o que levou o vereador Valcir a argumentar: “O impacto financeiro na folha é ínfimo, para um município que arrecada todo dia”.
O vereador Ildeu Maia, também demonstrou sua insatisfação: “Gostaríamos de estar votando 20% ou mais. Existem pessoas competentes que desempenham um grande trabalho em favor do município, por isso a gente vem aqui votar com prazer, mas é uma pena que o valor seja insignificante e não os atenda”, disse Ildeu.
Sobre a ausência do servidor durante a votação, o vereador atribui à confiança dos servidores no legislativo: “Ninguém iria rejeitar este aumento. Eles sabem que o prefeito agiu à revelia e não nos convidou a discutir o valor, como foi feito em outras administrações e deveria acontecer agora”, lamentou.
“Diversos setores da prefeitura precisam andar. Esperamos que seja dada condição de trabalho ao secretários para que eles possam agir”, concluiu. (MV)