Raquel Muniz defende ampla discussão sobre autismo no Congresso Nacional: o parlamento garante repercussão nacional e ressonância na sociedade
Márcia Vieira
Repórter
A Câmara Federal promoveu sessão solene em homenagem ao Dia Mundial do Autismo, que é celebrado neste mês de abril. No Brasil, cerca de dois milhões de pessoas já foram diagnosticadas com a doença.
O grande entrave no atendimento ao paciente com espectro autista, ainda está na educação, já que as escolas, em sua maioria, não dispõem de profissionais preparados para atender a demanda.
A deputada federal Raquel Muniz fez um pronunciamento esclarecedor durante a solenidade e alertou para a importância de o assunto ser levado a todas as esferas.
- Sei o quanto é relevante abordamos este assunto aqui no parlamento brasileiro, onde temas de interesse geral e de repercussão nacional acabam ganhando ressonância na sociedade. Temas que merecem de todos nós uma atenção ainda mais especial – disse ela.
CUIDADOS ESPECÍFICOS
Vanessa Saeger, fonoaudióloga e terapeuta de família em Montes Claros, diz que o tratamento para o autista requer muito mais atenção do que se imagina.
- Não são tão simples procedimentos básicos como, por exemplo, ir ao banheiro. Tem todo um jeito de falar, de olhar. Se essa criança treinada pela mãe chega à escola e a professora faz diferente, a mãe perdeu tudo que fez - acentua a terapeuta.
Para ela, que também é relações públicas da Anda, única entidade da região de apoio aos autistas, existe dificuldade em encontrar profissionais disponíveis.
- Estamos dispostos a mostrar como fazer. Mas a gente precisa encontrar pessoas que queiram fazer. O comportamento é padronizado. Os profissionais sabem disso, mas a nossa grande barreira é ter este profissional na escola para 4 horas de estimulação - declara.
Vanessa Saeger sugere que o município faça uma lei que determine a presença deste profissional nas escolas. A partir disso, com a ajuda da família que forneceria à escola o planejamento da criança, o problema seria resolvido.
- A linguagem tem que ser a mesma. O comportamento é generalizado - finaliza.
NA PELE
O professor do Instituto Federal de Minas Gerais, Marco Aurélio Duarte, endossa as palavras de Vanessa.
- Seria interessante o município promulgar uma lei como a estadual, que disponibiliza dois profissionais para acompanhar o autista em suas necessidades. Um deles seria o professor e, o outro, semelhante a um cuidador.
Como pai de autista, Marco Aurélio revela que sente na pele a situação.
- Coordeno um grupo de apoio a pessoas com necessidades especificas. Meu filho me ensinou a ficar mais atento. Tento atender a demanda dos pais. Essas pessoas são, no mínimo, incompreendidas.
A neuropediatra Carla Patrícia, também referência no tratamento dos pacientes na região, ressalta a importância da sensibilização de todos.
- É importante essa sensibilização da sociedade e do poder público para atender a demanda que existe hoje principalmente em relação à escola. O atendimento diferenciado é fundamental. Então, temos que trabalhar a escola para essa necessidade - diz.
ANDA
Keilia Nery, presidente da Anda, revela que o trabalho da instituição é voltado também para ajudar no diagnóstico da doença.
- Nós temos uma equipe de voluntários preparada para avaliação com aplicação de testes. Se houver a suspeita, buscamos o profissional para fechar o diagnóstico, mas a fila de espera é muito grande.
A presidente também lamenta não ter um atendimento médico efetivo.
- Nosso sonho é que a Anda fique aberta de manhã e à tarde, e que tenha todos os atendimentos necessários para os nossos filhos. Estamos em constante contato com as famílias, graças à dedicação dos voluntários. Gostaríamos de ter profissionais contratados. Precisamos do apoio municipal.
ATENÇÃO NACIONAL
Na Câmara Federal, Raquel Muniz agradeceu a presença dos autistas e de seus pais, que participaram da solenidade. Ela pediu que o assunto fosse tratado com carinho e sugeriu que a questão envolva “profissionalismo e, sobretudo, muito amor e paciência”. A deputada falou ainda sobre maneiras de se derrubar o preconceito.
- Creio que a sociedade já percebeu a importância de demonstrar afeto, respeito e valorização aos autistas. Prova disso foi a iluminação na cor azul de monumentos e prédios públicos para lembrar a data. Uma ação muito positiva e enaltecedora. Ao realizar este evento na Casa do povo brasileiro, estamos dizendo em alto e bom som que preconceitos já não cabem mais na sociedade atual.
Raquel Muniz finalizou lembrando, de maneira especial, sua cidade Montes Claros
- Faço uma homenagem a todos as crianças autistas da minha cidade, onde existem anjos que cuidam dos autistas- disse, referindo-se a Anda e aos voluntários da causa.