Eduardo Brasil
Repórter
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Após vários meses cobrando da prefeitura de Montes Claros, sem sucesso, um maior desempenho em relação ao PSF – Programa Saúde da Família, o vereador Sebastião Pimenta decidiu realizar um levantamento para apontar as deficiências que os serviços bancados com dinheiro do governo federal vêm apresentando no município.
Segundo ele, o relatório é abrangente, cobrindo todas as regiões onde o PSF foi implantado na cidade e já apresenta alguns dados preocupantes.
Sebastião Pimenta faz levantamento para mostrar
deficiências do PSF no município (foto: Wilson Medeiros)
- Nesse primeiro momento já constatamos que em muitos bairros a população não está sendo beneficiada pelo programa federal, que é praticado na cidade com contrapartida da prefeitura – disse ele, apontando a falta de médicos, de medicamentos, de agentes de saúde e, enfim, de um atendimento básico, mínimo, para as pessoas.
- O nosso levantamento conta com a participação de diversas entidades comunitárias que estão preocupadas com a deficiência dos pontos de apoio do PSF. Na verdade, o programa, que trata da medicina preventiva está longe de ter a eficiência preconizada pelo governo federal e isso precisa mudar.
SEM ATENDIMENTO
Reiterando que o Programa Saúde da Família deve ser mantido respeitando a sua importância como medicina preventiva, evitando que o município gaste verdadeiras fortunas com a medicina curativa, nos postos de saúde e hospitais, Sebastião Pimenta lamenta que esse detalhe não esteja sendo observado pela administração municipal.
Ele conta que em alguns bairros, que não possuem ponto de apoio do PSF, e que deveriam receber os serviços de uma unidade regional, designada para atender quatro, cinco bairros, as pessoas são informadas de que não podem ser atendidas ali por serem oriundas de outras partes da cidade. Para ele essa é uma situação extremamente complicada e que ameaça a saúde dos cidadãos.
- Temos como exemplo os moradores do bairro Alto da Boa Vista, onde não existe PSF. Eles têm procurado o PSF da Vila Sion, mas sem sucesso, não conseguindo sequer agendarem uma consulta. Esse problema não pode persistir.
Já no bairro Santa Lúcia II, o vereador diz que a população está sem médicos, vez que os dois que atuam no ponto de apoio do PSF estão licenciados e uma médica pediu licença para casar e logo depois requereu licença para gestação.
- Nesse meio tempo, a prefeitura não repôs esses importantes profissionais e quem está pagando caro por isso são os moradores, que ficam vulneráveis a todo tipo de doença.
SALÁRIO DE MÉDICO
Sebastião Pimenta também entende que a prefeitura deve aumentar os salários dos médicos que atendem ao PSF. Ele ressalta que no início do programa o município pagava pouco mais de mil reais para esses profissionais, contra doze mil pagos por outras prefeituras de cidades norte-mineiras bem menores que Montes Claros.
- A câmara municipal, inclusive, aprovou projeto que aumentou esses vencimentos. Hoje, um médico ganha entre seis e oito mil reais. Ainda é um valor que não tem atraído muitos médicos e por isso penso que a prefeitura deve fazer um esforço para pagar melhor a esses profissionais – acentuou.
Sebastião Pimenta afirma que assim que o levantamento for concluído, ele o apresentará imediatamente ao secretário de Saúde, Júnior Souto, e ao prefeito Athos Avelino, para que medidas urgentes sejam tomadas no sentido de dinamizar os serviços do PSF no município.