Mulheres na política

No Dia Internacional da Mulher, elas contam o que sentem

Jornal O Norte
Publicado em 08/03/2017 às 07:00.Atualizado em 15/11/2021 às 14:55.

Márcia Vieira
Repórter











Deputada federal Raquel Muniz: a mulher norte-mineira no Congresso Nacional

 

Neste dia 8 de março, Dia internacional da Mulher, o mundo festeja a crescente participação do sexo feminino na política. No norte de Minas, não é diferente. As eleições em 2012 apontavam apenas 15 candidatas na região, já em 2016 este número subiu para 26. Quanto às vereadoras, o número saltou de 2.181 em 2012, para 2.205 em 2016, de acordo dom dados do site do site do Tribunal Regional Eleitoral-TRE.

Sirleide Lacerda, chefe de cartório da zona 317 do Cartório Eleitoral de Montes Claros, destaca que a evolução ainda é tímida, considerando que o eleitorado feminino é maior. Mas, para ela, o número tende a crescer a partir da divulgação dos partidos sobre a obrigatória participação feminina na política.

- A tendência é melhorar, no momento em que a própria mulher tomar consciência e quiser mudar esta situação - diz.

Em Montes Claros, pela primeira vez foram eleitas três mulheres como vereadoras, um número já considerado expressivo, e uma mulher deputada genuinamente norte-mineira para a Câmara Federal. Na região, foram eleitas oito mulheres como prefeitas, nas cidades de Bocaiúva, Botumirim, Itacarambi, Joaquim Felício, Josenópolis, Pirapora, São João do Paraíso e Varzelândia.

Nesta data, a reportagem de O Norte quis saber como algumas destas mulheres eleitas nos poderes executivo e legislativo, em âmbito municipal e federal, encaram a participação feminina na política.

RAQUEL MUNIZ
Raquel Muniz, deputada federal pelo norte de Minas, casada com o ex-prefeito Ruy Muniz e mãe de quatro filhos, reconhece a ascensão da mulher, mas lamenta a subparticipação que ela ainda defende na política.

- Hoje ainda existe uma subparticipação feminina na política. No Congresso, estamos lutando para que esse cenário mude, para que a nossa participação seja proporcional à nossa representação na sociedade. Nós, mulheres, precisamos ousar e buscar nossos sonhos, porque podemos ser o que quisermos ser. Não há limite. Fiquei imensamente feliz com o resultado das eleições no norte de Minas, pois o número de prefeitas e vereadoras aumentou. A presença da mulher na política é fundamental, para garantir outro olhar sobre temas importantes e que vão afetar diretamente a vida do cidadão. A parceria homem/mulher é necessária para a construção de um mundo justo em todos os seus aspectos.

Valquíria Cardoso, prefeita de Varzelândia, casada, sem filhos, ressalta a posição que alçou na sua meta de trabalhar pela melhoria de vida da população.

- Estou no lugar certo, pois sempre foi um sonho ser prefeita da cidade onde nasci, cresci e me fiz gente. Desde pequena, já me imaginava ocupando este espaço e agora estou tendo esta oportunidade. Não vou ficar quieta, preciso usar minha sensibilidade e força de mulher para melhorar a vida de Varzelândia. Precisamos avançar. E sei que sou capaz justamente por ser mulher.









 

Ana Pereira Neta (Naninha), prefeita de Botumirim, casada, também sem filhos, ressalta que a mulher precisa continuar firme na sua proposta de ocupar cada vez mais espaços na política.

- A participação da mulher na política ainda é escassa, porque conseguimos eleger oito mulheres prefeitas, mas na nossa cidade, por exemplo, entre nove vereadores, apenas uma é mulher. Quero fazer sempre mais na área política. Para mim é uma vitória dupla, porque disputei com um candidato do sexo masculino e fui a primeira mulher eleita para administrar a nossa cidade. Meu foco político começou no Sindicato dos Servidores dos Trabalhadores Rurais. Foi lá que descobri essa vontade de trabalhar, especialmente em favor do trabalhador rural.

Mônica Cristine Mendes de Souza, prefeita de São João do Paraíso, casada, mãe de quatro filhos, comemora o desempenho da mulher na política, apesar do “machismo que ainda existe”.

- A participação feminina na política é uma conquista. A mulher tem se mostrado forte diante das dificuldades e barreiras, apesar do machismo que ainda existe. E tem conquistado o seu espaço com sabedoria, lutando constantemente contra o preconceito. É difícil conciliar a vida pública com a pessoal, mas a mulher tem o dom de fazer muita coisa ao mesmo tempo e é forte, apesar de ser considerada como sexo frágil.

Maria Helena Lopes, vereadora em Montes Claros, casada, três filhos diz ser uma “honra” representar as mulheres no legislativo municipal.

- É uma honra muito grande estar aqui com mais duas colegas, cada uma com suas características, mas unidas naquilo que diz respeito à política de gênero na nossa cidade. Nós precisamos criar mecanismos que realmente concretizem essas políticas para efetivamente levarmos benefícios às mulheres trabalhadoras e mães.

Maria das Graças Gonçalves Dias (Graça da Casa do Motor), vereadora em Montes Claros, casada, três filhos festeja sua estréia na política ao lado de outras mulheres.

- É a primeira vez que participo e fiquei muito feliz quando soube que teria mais duas colegas na Câmara. Somos parceiras, amigas e sempre buscando favorecer o lado da mulher. Temos atitude, somos mulheres de ação. E a câmara está bem representada.

Dulcineia Santos (Néia do Criança Feliz), também é vereadora em Montes Claros, casada, mãe de dois filhos, espera que o número de mulheres na política aumente ainda mais nos próximos pleitos.

- É muito importante a participação da mulher. Louvável essa representação feminina nesta Casa e torcemos para que na próxima legislatura possamos ter uma representação ainda maior e que, unidas, possamos reivindicar melhorias para as nossas mulheres.

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