
A preparação para garantir segurança e tranquilidade aos eleitores durante as Eleições 2026 foi tema do Encontro Regional do Gabinete Integrado de Segurança (GIS), realizado na última sexta-feira (11), no Salão do Júri do Fórum Gonçalves Chaves, em Montes Claros. O encontro reuniu juízes de 34 zonas eleitorais e comandantes de batalhões da Polícia Militar da região para discutir a atuação conjunta da Justiça Eleitoral e das forças de segurança antes, durante e após o pleito.
A reunião foi realizada fechadamente, mas, antes do início das discussões, representantes dos órgãos participantes atenderam à imprensa em uma coletiva. O objetivo foi apresentar as estratégias que estão sendo construídas para assegurar o direito ao voto e preservar a integridade do processo eleitoral.
O chefe adjunto da Polícia Civil de Minas Gerais, Aloíso Fagundes, destacou que a corporação terá papel importante na apuração de crimes e infrações eleitorais, atuando de forma integrada com as demais forças. “É importante a gente esclarecer que a atuação da Polícia Civil tem uma atuação submetida em relação às competências da Polícia Federal. Mas, devido à nossa capilaridade e atuação em todo o estado de Minas Gerais, nós vamos atuar com o efetivo máximo para o dia das eleições”, afirmou.
Segundo Fagundes, o trabalho da Polícia Civil também será intensificado nos períodos que antecedem e sucedem a votação, incluindo eventual segundo turno. A prioridade será a apuração de crimes eleitorais e delitos relacionados. Ele também chamou atenção para a necessidade de respostas rápidas diante de novas formas de criminalidade. “Os ilícitos eleitorais e os delitos correlatos, a gente precisa ter uma prioridade de atuação, justamente porque hoje temos uma dinâmica muito variada em relação às fake news e outros ilícitos correlatos”, explicou. Para ele, a atuação integrada com as demais forças e com o Tribunal Regional Eleitoral é fundamental para uma resposta efetiva.
Coordenador do Gabinete Integrado de Segurança, o desembargador Paulo Tamburini explicou que o grupo reúne o Tribunal Regional Eleitoral, o Ministério Público Eleitoral e as forças de segurança pública do Estado. “A nossa função é preparar todo o sistema de segurança para o dia das eleições”, afirmou. Entre as medidas previstas está a presença de um oficial da Polícia Militar em cada um dos 853 municípios mineiros, além da atuação integrada entre juízes, Ministério Público e forças policiais.
O planejamento é baseado em uma chamada “matriz de risco”, elaborada a partir da análise de ocorrências registradas em eleições anteriores. “Com base nessas ocorrências, nós traçamos qual é o possível risco, baseado naquilo que nós já tivemos. E, a partir daí, a gente traça uma estratégia de prevenção”, explicou Tamburini. Situações que não puderem ser evitadas terão atendimento seguindo os procedimentos estabelecidos pelas forças de segurança.
O desembargador ressaltou ainda a dimensão da operação eleitoral em Minas Gerais. “Nós temos uma expectativa de movimentação de mais de 16 milhões de pessoas no domingo entre 7 da manhã e provavelmente 7 da noite”, afirmou. A estratégia, segundo ele, busca garantir que o eleitor possa sair de casa, votar e retornar em segurança, preservando também a integridade do processo de votação. No Norte de Minas, todos os municípios contarão com a presença da Polícia Militar e apoio das polícias Civil e Federal.
Presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, Carlos Henrique Perpétuo Braga destacou que a presença da instituição em Montes Claros representa parte dos esforços para garantir um pleito tranquilo. “O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais tem envidado esforços constantes, permanentes, para garantir ao eleitor e à eleitora mineira um pleito eleitoral tranquilo”, afirmou. Ele ressaltou que o trabalho envolve as polícias Militar, Civil e Federal, além das polícias rodoviárias.
Outro ponto abordado foi a propaganda eleitoral digital. Segundo o presidente do TRE-MG, o tribunal criou uma comissão específica para acompanhar a regularidade da propaganda na internet, com juízes preparados para atuar nessa área. A inteligência artificial também estará no centro das atenções. “O que nós queremos é que ela seja utilizada para informar, para instruir o eleitor”, explicou.
Carlos Henrique também reforçou a importância de o eleitor buscar informações e utilizar a “colinha” disponibilizada pelo TRE para facilitar a votação. Para ele, o Norte de Minas merece atenção especial dentro do planejamento, mas não por representar um cenário de preocupação. “O eleitor do Norte de Minas é um eleitor tranquilo, é um eleitor responsável e que cumpre bem essa função e essa garantia cidadã que é de escolher os nossos representantes”, afirmou.
O presidente do TRE-MG também defendeu a transparência das etapas do processo eleitoral e convidou diferentes setores da sociedade a acompanhar a preparação das urnas, incluindo testes de integridade e auditorias. “Nós queremos que o processo eleitoral seja coberto de luzes”, afirmou. Segundo ele, as urnas eletrônicas são “um patrimônio da democracia” e acumulam cerca de 30 anos de utilização sem ocorrências que comprometam a lisura do processo.
