O ex-prefeito e educador Ruy Muniz também participou da audiência.
Em seu governo o segmento educacional obteve grandes avanços,
sobretudo em relação à valorização dos profissionais
A avaliação foi feita nesta quinta-feira (27) por participantes de audiência pública da comissão especial sobre a PEC 15/15, que torna o Fundeb permanente. O debate também foi uma proposta da parlamentar e contou com a participação de educadores do norte de Minas convidados por ela. O ex-prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz também participou do evento realizado em um dos plenários da Câmara dos Deputados.
Raquel Muniz ressaltou que a continuidade do Fundeb é de extrema necessidade, principalmente porque se observa a aproximação do prazo do final previsto para a vigência.
- Seu fim provocaria grande desorganização no financiamento da educação básica pública brasileira e colocaria termo a mais importante experiência de construção de encaminhamento de políticas públicas a partir da solidariedade federativa - avaliou.
RECURSOS
A ex-secretária municipal de Educação de Montes Claros Sueli Nobre, que participou das discussões disse que no município, que conta com 35 mil estudantes matriculados no ensino fundamental, os recursos repassados por meio do Fundeb são destinados a desenvolver a implantação do tempo integral em todas as escolas públicas, além de consultoria pedagógica, aulas de reforço e atividades fora da instituição.
- Eu acredito que a educação deve ter qualidade em qualquer nível, pois envolve pessoas. Se envolve pessoas, nós temos um compromisso com elas. Não podemos ofertar algo mais ou menos, temos que dar o nosso melhor – observou Suely.
- Dos 35 mil alunos do ensino fundamental, 19 mil já foram beneficiados com atividades exercidas a partir de recursos do Fundeb - completou.
POUCOS RECURSOS
O secretário municipal de Educação de Mirabela, Jonatas Rêgo, que também integrou a comitiva norte-mineira, afirmou que os municípios menores não recebem o investimento necessário para desenvolver o ensino público.
- Os recursos passados aos municípios pequenos são importantes, mas não são suficientes para cobrir a folha de pagamento. Acabamos complementando com recursos próprios - acusou.
Segundo o secretário, com isso falta capacidade de investimento ao município, o que leva a um choque de gestão.
- Vamos ter que diminuir a folha e não poderemos pagar o piso. Não podemos dar aumento, não vamos cumprir a meta do Plano Nacional de Educação - afirmou.
PROBLEMAS
Especialista em educação e diretora acadêmica das Faculdades Integradas Unicespe, Ana Angélica Paiva disse que, além do problema da evasão escolar, a qualidade de ensino é insatisfatória.
- O aluno que consegue chegar ao ensino superior chega com muita defasagem, deficiente em várias competências básicas, principalmente em termos de linguagem e raciocínio lógico - explicou.
Outro problema levantado pela educadora é em relação ao interesse na carreira de professor. Para Ana Angélica, é preciso mais valorização nessa área.
- É uma profissão que está em declínio. Muitos jovens evitam a área da educação como formação, e aqueles que completam o curso de licenciatura evitam ir para a sala de aula. (Com Agência Câmara)