Câmara vai buscar ajuda para facilitar acesso ao INSS

Audiência pública apontou atendimento deficitário do órgão aos norte-mineiros

Márcia Vieira
18/02/2022 às 10:32.
Atualizado em 18/02/2022 às 10:32
CARA NA PORTA - Vereador relatou que cada vez mais moradores têm buscado o gabinete para reclamar da deficiência no atendimento do INSS (ascom câmara de vereadores de montes claros/divulgação)

CARA NA PORTA - Vereador relatou que cada vez mais moradores têm buscado o gabinete para reclamar da deficiência no atendimento do INSS (ascom câmara de vereadores de montes claros/divulgação)

Dificuldade para conseguir agendar perícia, longa espera para conseguir a liberação ou renovação de benefício, falta de informações e descaso com uma população já historicamente desassistida. Esses são alguns dos problemas que os norte-mineiros enfrentam quando precisam do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A lista pode ser ainda maior, assim como o número de reclamações que tem chegado à Câmara de Vereadores de Montes Claros. Apesar de não ter uma estatística, o vereador Edmilson Bispo diz que são muitos os cidadãos que procuram seu gabinete para relatar problemas e dificuldades de acesso à Previdência Social. A maioria, segundo o parlamentar, está relacionada à deficiência no atendimento.

Por isso, ele decidiu realizar uma audiência pública na Casa para tentar encontrar um caminho menos árduo para quem precisa do serviço. No entanto, nenhum representante do órgão compareceu.

“A partir desta reunião, vamos encaminhar um documento à OAB, bem como à presidência do Senado para nos auxiliar no que pode ser melhorado em Montes Claros. A situação é lamentável, porque muita gente vem da zona rural e, quando chega na unidade, é barrada na porta sem ao menos receber uma orientação”, diz o vereador.

Ele diz ainda que outros relatam a negativa do órgão para o benefício, mesmo com a comprovação do direito e da necessidade de receber o recurso. “Muitas vezes eles reclamam de um atendimento precário por parte dos peritos”, explica o vereador, que lamentou a ausência de um representante do órgão na audiência.

“Foram convidados com antecedência e enviaram em cima da hora uma correspondência dizendo que teriam uma outra reunião no mesmo horário”, diz o parlamentar. 
 
RECORRENTE
A advogada previdenciária Flávia Fiuza pondera que o objetivo do encontro era abrir diálogo e evidenciar a situação crítica e massacrante à qual a população está sendo submetida. 

“Um dos problemas mais recorrentes é a demora para se conseguir o atendimento e, na maioria das vezes, quando se consegue marcar, a perícia é cancelada sem uma explicação, sem um comunicado prévio. É uma população que já está desassistida, limitada e faz um esforço sobrenatural para chegar ao local. E da portaria volta para casa sem uma explicação, sem uma orientação”, lamenta a advogada.

Flávia destaca que está faltando humanizar e, mais do que isso, viabilizar o atendimento, ainda que desumano. O mundo on-line trouxe outras vantagens e muitas desvantagens”, diz.

Ela ressalta que o advogado não se limita a buscar o benefício, mas também lutar pela ampliação desse campo e cobrar do órgão que informe melhor a população sobre os serviços e as mudanças ocorridas.
 
ORTOPEDIA
Flávia relata que a maioria dos atendimentos se concentra em doenças ortopédicas – principalmente de maio a outubro, período mais frio em que as enfermidades se agravam. Esses casos exigem extremo esforço das pessoas para se deslocarem até o posto do INSS. É muito cruel, segundo ela, que tenham que voltar para casa sem uma resposta adequada. Na sequência, aparecem os casos de cardiologia e psiquiatria.

Buscar atendimento no INSS de Montes Claros tem sido um calvário para a dona de casa C.X., de 60 anos. Depois de passar por quatro perícias, ela ainda espera por uma resposta do órgão. “Em todas as tentativas tive meu pedido negado. Apresentei toda a documentação, conforme foi pedido, e todos os médicos que me consultaram relataram minuciosamente a minha situação. São 11 situações que comprometem a minha mobilidade e me impedem de continuar trabalhando”, diz.

Para desespero da moradora, a situação tende a piorar e, no frio, fica insuportável. “Não tenho condições de fazer nem o serviço doméstico. Fui obrigada a procurar um advogado para interceder na situação e não sei nem como irei pagar, porque não tenho renda. O perito mal olhou para mim. É desesperador saber que não temos amparo no momento da vida em que mais precisamos de ajuda”.

O INSS foi procurado para falar sobre o assunto, mas até o fechamento da edição não respondeu.

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