Antes da votação

A uma semana da eleição, 1.071 urnas passam por preparação

Márcia Vieira
Repórter
Publicado em 25/09/2026 às 19:00.
Promotora Danielle Cristina, Juiz Francisco Lacerda e Chefe do cartório Helen Guimarães fazem os últimos ajustes para as eleições (Márcia Vieira)
Promotora Danielle Cristina, Juiz Francisco Lacerda e Chefe do cartório Helen Guimarães fazem os últimos ajustes para as eleições (Márcia Vieira)

A uma semana das Eleições 2026, a Justiça Eleitoral conclui neste sábado (26) a preparação das 1.071 urnas eletrônicas que serão utilizadas nas zonas eleitorais 184ª, 185ª e 317ª, em Montes Claros e região. Os equipamentos recebem os dados de eleitoras, eleitores e candidaturas antes de serem lacrados e encaminhados aos locais de votação.

Nesta etapa, os equipamentos recebem o nome, número e foto de todos os candidatos ao pleito e dados das eleitoras e eleitores de cada seção. Uma última etapa acontece três dias antes da eleição, sendo a conferência do relógio das urnas para evitar que ocorram atrasos no dia da votação. Depois da conferência, as urnas são lacradas e ficam sob a guarda da justiça. “Costumo dizer que a gente termina a eleição uma semana antes. Costumamos fazer isso e, se acontecer algum problema, a gente consegue resolver”, disse a chefe do cartório, Helen Guimarães, durante uma demonstração para a imprensa. Ela ressalta que as urnas não são conectadas à internet e elas só funcionam a partir das 7h da manhã na data da votação, portanto, a segurança da urna eletrônica é real. Mais de 20 trabalhadores estão envolvidos no processo de carga das urnas.

Denise Natividade Lopes, auxiliar administrativo, trabalha pela primeira vez no processo. “É muito interessante. Não conhecia de perto, e isso me trouxe mais responsabilidade. É uma coisa muito rigorosa e eu confio completamente na urna eletrônica”, afirmou. Já o bacharel em engenharia, Igor Eduardo Xavier, contabiliza a quarta eleição trabalhando nos bastidores. “Há uma prioridade para quem já trabalha no processo; me inscrevi e fui selecionado mais uma vez. Depois de ver o funcionamento, os mecanismos que são utilizados, o passo a passo, eu posso dizer que confio na urna eletrônica”, declarou. Igor fala ainda da sua alegria ao votar. “A sensação é satisfatória, primeiramente como cidadão, e também por saber que trabalhei em torno de algo para ajudar meu país, minha cidade, e que ali está o resultado do empenho de toda uma equipe”.

Em 2026, o Estado de Minas Gerais vai escolher presidente, governador, deputado federal, deputado estadual e dois senadores. O Juiz Eleitoral da 184ª Zona Eleitoral, Francisco Lacerda, destaca que a expectativa é de que o processo ocorra dentro da normalidade e sem surpresas. As instituições, como Ministério Público, OAB e Justiça Eleitoral, atuam em sintonia para oferecer aos eleitores, no dia da votação, uma eleição sem nenhuma pressão, e que todo mundo exerça o seu direito de cidadão, conforme o juiz.

“Esta urna que vocês estão vendo foi preparada com programas enviados pelo TSE. Todos os programas que foram inseridos nela estão guardados em um cofre do TSE para conferência. Nós temos uma assinatura específica, chamada ‘hash’, que é uma linguagem de computador. Esse hash, o mesmo que está aqui, está em Brasília. Se houver qualquer alteração nesse código, qualquer tentativa de inserir um programa que não seja os programas oficiais, esse hash vai acusar a mudança. Então, nesse ponto, eu garanto que a urna é inviolável”, explicou o juiz, acrescentando que o TSE faz um período de testes, convocando hackers para fazer a tentativa de violação do sistema e até hoje não houve quem conseguisse violar. Segundo o juiz, não só em Montes Claros, mas em todas as zonas eleitorais de Minas Gerais, o TRE trabalha com a mesma sistemática.

Sobre as fake news, um dos problemas que acontecem especialmente na véspera da eleição, o juiz alerta que o eleitor deve tentar verificar todos os dados que ele recebe de redes sociais. “Porque, nesta época de hoje, com o uso de IA, o uso das redes sociais, infelizmente, todos estamos abertos a consumir fake news. Mas há penalidades para essas pessoas que forem flagradas cometendo esses delitos; desde que comprovadas, elas podem responder por crime”, frisa.

A promotora eleitoral da ZE 184ª, Danielle Cristina Barral, ressalta que, com as demais instituições, vai atuar para garantir a legitimidade do processo e qualquer denúncia pode ser encaminhada para a ouvidoria do Ministério Público. “Estamos vendo uma campanha eleitoral relativamente tranquila e esperamos prosseguir nos próximos dias, mantendo postura e comportamento, principalmente por parte dos eleitores. Evitar aglomerações, derrame de santinhos e outras atitudes que possam causar algum problema”.

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