Desde que o prefeito Humberto Souto assumiu, em 2017, candidatos a uma vaga no ensino superior em Montes Claros perderam a chance de se prepararem com qualidade e sem custos. O pré-vestibular e pré-concurso municipais foram desativados, após 12 anos de funcionamento.

A medida foi considerada um retrocesso na educação e deixou estudantes de baixa renda na mão. Para tentar reativar o cursinho público, o vereador Fábio Neves (PRB) entrou com um requerimento, subscrito pelos demais parlamentares, pedindo a volta do ensino suplementar.

“Foi um grande retrocesso para Montes Claros, especialmente neste momento de crise em que as famílias estão passando dificuldades e não conseguem bancar um curso preparatório”, disse o vereador.

O sistema chegou a ofertar 2 mil vagas no pré-vestibular e 700 no pré-concursos em um único semestre, recebendo pessoas interessadas em se preparar para entrar na universidade ou mercado de trabalho, egressos de escola pública.
 
SEM OPORTUNIDADE
Um levantamento feito pelo gabinete de Fábio Neves mostra que os gastos de um aluno com um curso preparatório podem ultrapassar os R$ 3 mil em um ano, incluindo apenas as aulas e o material. 

Para ele, a atitude do município mostra que, apesar de Montes Claros ser um polo universitário, a base necessária para fomentar o conhecimento e oportunizar aos estudantes a chance de alcançar uma formação profissional está longe de ser a ideal.

“O que está acontecendo é o distanciamento dos jovens da faculdade. Eles precisam estar preparados para a universidade pública. O município errou ao fazer isso. Deveriam ter feito um esforço maior para não acabar com este programa. Acabaram com a educação integral, com o pré-vestibular, dentre outras situações. É inaceitável”, explicou o vereador.

Alunos alcançavam 80% de aprovação
Vera Lúcia de Carvalho, que coordenou o pré-vestibular, lembra que a cada gestão o incentivo era maior e, até 2016, eram 12 núcleos funcionando nas zonas urbana e rural, com toda estrutura necessária ao aprendizado. No último ano, segundo ela, foram ofertadas 3.200 vagas.

“Acabar com o pré-vestibular gerou um prejuízo incalculável. Tivemos alunos aprovados em diversos cursos, como Ciência da Computação, Odontologia, Direito e Medicina, que é um dos cursos mais concorridos. Era uma satisfação assistir ao crescimento dos alunos. A maioria trabalhava no comércio durante o dia e frequentava o cursinho à noite, se preparando gratuitamente. O índice de aprovação era de 80% ou mais”, afirma.

Além das aulas regulares, em data próxima ao vestibular os alunos participavam de um simulado. “O objetivo era testar o conhecimento deles com relação ao conteúdo oferecido e prepará-los par o vestibular da Unimontes”, acrescenta a então coordenadora.

A ex-secretária de Educação, Sueli Nobre, afirma que havia preocupação com a qualidade do ensino. “Os professores selecionados eram os melhores. Com planejamento, o município conseguiu arcar com os custos e valorizar o setor”, ressalta.

O vereador Fábio Neves disse que agendou para esta semana uma reunião com a secretária Municipal de Educação, Rejane Veloso, para tratar do assunto.

O NORTE procurou a secretaria de Educação que, até o fechamento da edição, não retornou.