Produtos do Cerrado e da Caatinga, cultivados nos quintais de agricultores de Montes Claros, são transformados em polpa e geram renda para 800 famílias que integram a Cooperativa Grande Sertão. O exemplo de sucesso que une agricultura familiar e associativismo foi levado para a Argentina para ser apresentado como case na 30ª Reunião Especializada de Agricultura Familiar (Reaf).

O evento, que acontece mensalmente envolvendo os quatro países do Mercosul mais o Chile, tem o objetivo de fomentar o setor com a troca de experiências positivas das nações.

“Trabalhamos com várias cadeias produtivas, principalmente com produtos da sociobiodiversidade do Cerrado e da Caatinga. São sete sabores de frutas nativas e frutas cultivadas no quintal dos agricultores, o que dá um total de 17 sabores”, conta o agricultor familiar montes-clarense Aparecido Alves de Souza, diretor da Cooperativa Grande Sertão, que levou a experiência ao mercado argentino.

O fruto mais conhecido da região, o pequi, também é protagonista na cooperativa e aparece de maneira diversificada. “A cadeia do pequi envolve a produção da polpa do pequi, o óleo e o pequi congelado em caroço. Já os óleos vegetais, como o de buriti, aparecem na linha de cosméticos. Enfim, todas essas modalidades que apresentamos tem valor social, econômico e ecológico agregado. A Reaf é um grande espaço para mostrarmos tanto para a sociedade civil como para os governos aquilo que pode ser multiplicado e incentivado”, disse Aparecido.

Em 29 de maio foi lançada, pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Década Internacional da Agricultura Familiar (2019-2028). O tema serviu de gancho para esta edição do encontro.

Para o diretor de Cooperativismo e Acesso aos Mercados, Márcio Madalena, representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no evento, o Brasil tem muito a ensinar, mas ainda há muito a aprender.

“O nosso desafio é gerar renda para o produtor e fazer do cooperativismo uma ferramenta de acesso ao mercado”. O próximo encontro será no Brasil e vai unir a Reaf e a RECM, especificamente voltada para cooperativas.

Rafael Martins, representante do gabinete da Secretaria de Agricultura Familiar, aponta que desde 2019 há uma lei que exige que cada município compre ao menos 30% da alimentação escolar da agricultura familiar. “Esta lei foi impulsionada de uma maneira mais do que esperada com a criação de cooperativas e associação de agricultura familiar, que permitiu a entrada de agricultores familiares neste mercado. Em poucos anos, o número foi multiplicado”.

O secretário técnico da Reaf no Mercosul, Lautaro Viscay, destacou que nesta edição o evento tratou da sanidade e produção dos alimentos na agricultura familiar e foi montado um plano de trabalho para estimular os países a valorizarem o associativismo.

A ex-deputada federal Raquel Muniz participou do encontro e destaca a importância da agricultura familiar e do cooperativismo para a geração de renda e para a economia.

“A cooperativa representada pelo Cido é um exemplo do quanto a união transforma as realidades e é ferramenta para a geração de renda a partir da agricultura familiar. Durante meu mandato, sempre defendi os pequenos agricultores, que trabalham a terra e levam produtos frescos para a mesa do brasileiro. Eles produzem, geram renda, fixam o homem no campo e são essenciais na economia, principalmente local e regional”, afirma.