A expectativa para a sabatina do presidente da MCTrans, José Wilson Guimarães, o “Brizola”, foi muito grande para pouco resultado. O gestor do trânsito e transporte de Montes Claros esteve nesta segunda (5) na Câmara Municipal para prestar esclarecimentos sobre diversas denúncias que pesam sobre ele e o órgão que administra, mas foi embora sem jogar luz sobre nenhuma delas.

Abuso de poder, assédio sexual e moral, descumprimento das leis de gratuidade, utilização da máquina pública em benefício próprio e outras acusações são feitas pelos vereadores ao longo dos dois anos e meio de Brizola à frente do órgão.

Ele, no entanto, negou todos os fatos mostrados pela imprensa e pela Câmara e desafiou o Ministério Público.

“Desconheço qualquer denúncia contra mim. Nunca fui chamado no Ministério Público para ser ouvido. Sou um homem público e é normal as pessoas fazerem denúncias”, disse durante a sabatina.

Sobre a reforma realizada na casa dele com uso de mão de obra pública, um dos crimes de uso da máquina pública em benefício próprio e de maior repercussão na cidade, ocorrido em fevereiro de 2018, o presidente da MCTrans entrou em contradição.

Na ocasião em que o fato ocorreu, ele emitiu nota admitindo o crime e pedindo desculpas à população pelo erro. “Reconheço que errei ao utilizar os serviços do referido servidor, sendo que estou levantando o custo dessa mão de obra, mesmo de pequena monta, para indenizar os cofres da MCTrans”, dizia trecho da nota publicada em 25 de fevereiro de 2018.

Ontem, no entanto, Brizola negou que o serviço tenha sido feito na casa dele e chegou a dizer que os funcionários resolveram prestar um favor, por “amizade”. “Eles passaram a conviver comigo e sempre a gente faz reunião e oferece churrasco pra eles. Minha casa é uma das mais velhas de Montes Claros e fica numa travessa que não tem luminosidade. Já fui assaltado várias vezes”, justificou o presidente da MCTrans.

O vereador Oliveira Lêga (Cidadania) denunciou o que considerou uma farsa montada a pedido do prefeito, que teria articulado antecipadamente com vereadores para que eles não fossem duros com o presidente e, em troca, atenderia a pedidos de alguns deles.

Na semana passada, Lêga entrou com pedido do voto de censura ao dirigente da MCTrans, mas foi derrotado. “Achei uma palhaçada. O objetivo do requerimento foi outro e ele (José Wílson) respondeu conforme a conveniência. Ele apresentou outra versão. Fica fácil chegar aqui e mentir, mas ele está entrando em contradição. Quando se há o envolvimento do Executivo para calar a boca do Legislativo, é assim que funciona. Já era esperado”, lamentou o vereador.

Brizola não quis falar com a reportagem de O NORTE após a sabatina.