Produtores rurais vivem uma situação difícil em Montes Claros. Em função da pandemia pelo novo coronavírus, eles têm dificuldades em comercializar a produção. As feiras ao ar livre, uma das principais formas de vendas dos hortifrútis, foram suspensas na cidade devido ao risco de contaminação. Outra fonte de renda, principalmente dos agricultores familiares, era o fornecimento para composição do cardápio da merenda escolar nas unidades da rede municipal. No entanto, nada disso está sendo feito nesse momento.
 
Os produtores reclamam das medidas adotadas pela Prefeitura de Montes Claros durante a pandemia. Eles alegam que o município não demonstra preocupação com a categoria, que foi deixada de fora da aquisição de produtos para montagem de cestas básicas distribuídas às famílias de baixa renda. 
 
Alimentos que fazem parte do cardápio da merenda escolar, como frutas e hortaliças, deixaram de ser adquiridos para compor a cesta sem uma justificativa plausível. Sem essa aquisição pelo município e com a suspensão das feiras livres, não existe meio de vender a produção.
 
“Existe uma produção represada. São mais de 100 mil pés de morango plantados só na nossa região. Eles excluíram as folhas em geral e frutas (da cesta básica) dizendo que é porque amassam. Mas, e antes, não amassava? Não entendemos a atitude”, diz Simael Ferreira, vice-presidente da Associação de Produtores de Hortifrutigranjeiros da Região do Pentáurea (Aspropen), que agrega 120 associados.
 
“Temos um bom produto, saudável e de qualidade. Toda a cidade sabe que não usamos agrotóxicos. Sem um espaço para comercializar, resta apenas a entrega de casa em casa. Gostaríamos de pedir ao prefeito que flexibilize as feiras. Se existe perigo ao ar livre, muito maior é o perigo dentro do Mercado, que não parou em nenhum momento. Nossa mensagem é que ele pegue o PNAE (Programa de Nacional de Alimentação Escolar) completo e abra a feira, com restrições”, acrescenta Simael. 
 
DESCASO
Para o vereador Ildeu Maia (Progressistas), o descaso do atual governo municipal com a população da zona rural e a mais carente da área urbana é claro. “O prefeito já mostrou que não gosta da população da zona rural. Liberou praticamente tudo na cidade e não liberou as feiras, nem colocou data para liberar. A população carente também está sofrendo, porque as cestas básicas foram entregues por um único mês. Será que isso alimenta as famílias até hoje? O aluno que muitas vezes vai para a escola para merendar, como está se alimentando? O recurso está lá, mas ele não se importa com as pessoas”, afirma o parlamentar.
 
Lorena Rodrigues é mãe de uma criança de 6 anos, aluno da rede municipal. Ela recebeu a cesta básica em abril e foi informada na escola de que não havia previsão para a continuidade da medida. “Estou desempregada, meu marido também e a cesta nos ajudou bastante. Mas lá eles me disseram que era só aquele mês. Eu achei estranho porque anunciaram que teríamos direito enquanto durasse a pandemia. Estou fazendo bicos como manicure para garantir o sustento da família, pois não consegui o auxílio emergencial do governo (federal)”, explica.
 
Procurada pela reportagem, a secretária de Educação, Rejane Veloso, informou, por meio da assessoria, que está organizando um cronograma para a distribuição das cestas e que, até a semana que vem, deverá acontecer uma licitação para dar continuidade à entrega. Sobre a retirada dos produtos da cesta, citada pelos produtores, a assessoria não soube informar o motivo.