O combate à leishmaniose é responsabilidade de todos. Essa é a opinião dos participantes da Audiência Pública proposta pelo vereador Fábio Neves (PSB), realizada nesta semana, que antecede a entrada do Projeto de Lei n° 88/2019 na pauta de votações da Casa. O PL propõe a obrigatoriedade do fornecimento da vacina contra a leishmaniose para cães, como forma de controle da doença.

De acordo com a veterinária do município Marisa Fonseca, a equipe da leishmaniose do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) é “um pequeno grande exército”, que realiza em torno de 12 mil exames anualmente.

“No bairro Independência, em 12 pontos de coleta, durante três noites por mês (24 meses), foram capturados 38 mil e 55 exemplares de flebotomíneos. A região do Grande Independência é um setor de risco. A região Sul II (Maracanã, Alterosa e adjacências) e a região Norte (Vila São Francisco de Assis e Vila Atlântida) são as três que concentram o maior número de casos humanos da doença. Hoje, têm também a prevalência canina mais elevada. Em Montes Claros, a média está em torno de 10%, ou seja, de cada 100 cães examinados, dez estão contaminados”, afirmou. 

Marisa disse que não é fácil controlar o vetor e que é necessária a identificação dos animais sintomáticos. “Porque a carga parasitária desses animais é mais elevada. Um animal sintomático tem a capacidade de infectar quatro vezes mais os insetos que se alimentarem do seu sangue”, explicou.

Apesar da gravidade da situação constatada pela secretaria, a vacinação gratuita, a princípio, está descartada, devido ao custo elevado, e, na avaliação da secretária Dulce Pimenta, à pouca eficácia.

O vereador Marlon Xavier desconstruiu o argumento da secretária e ressaltou que há pouca efetividade e muita balela em torno da situação. Para ele, todos os pontos já estão estabelecidos, dos locais de risco à transmissão, e a necessidade agora é de ação.

“A vacina é cara demais, mas são feitas na cidade várias coisas caras demais. Criam-se fundos para mobilidade urbana, para asfaltamento e para coisas que são visíveis. O que é visível pode ser caro e é aplicado. No que não é visível, como a saúde, não se investe”, alertou.