Cansados de tanta promessa e nenhuma solução, moradores do bairro São Geraldo interditaram a avenida Porteirinha, que deveria estar sendo asfaltada pela Prefeitura de Montes Claros, e impediram a retirada de maquinários destinados a realizar a obra, mas que estão parados e seriam transferidos para outra localidade.

O asfaltamento da via foi anunciado recentemente pelo prefeito Humberto Souto, durante visita ao bairro. No entanto, a promessa não foi cumprida, causando revolta na comunidade.

“O prefeito veio aqui e assinou um documento. Foi prometido o asfalto e eles fizeram apenas 180 metros. Agora querem tirar as máquinas, mas nós não vamos deixar”, disse um dos moradores. A polícia foi chamada para conter os ânimos e garantir a retirada do equipamento.

O São Geraldo II se tornou refúgio de montes-clarenses que buscavam tranquilidade fora da cidade, mas sem abrir mão de serviços essenciais. Distante cerca de 20 minutos do Centro da cidade, a comunidade, no entanto, está carente de infraestrutura e clama por socorro. Os moradores se sentem isolados pela administração municipal.

O jornalista Aurélio Vidal, que tem parentes na região, esteve no povoado na hora do protesto. “A parte mais crítica realmente não está sendo feita. Eles têm razão de protestar. Se não vai fazer toda a avenida, que não comecem”, afirmou.

De acordo com outro morador, que pediu para que não fosse identificado, os perigos são muitos e os acidentes de trânsito, recorrentes.

“Tem muita gente que sai de bicicleta para trabalhar devido à distância da cidade, mas não consegue chegar ao destino. Infelizmente estamos largados, é como se isso aqui não fizesse parte da cidade”, reclama.

O presidente da Associação do Bairro, Santana, declarou que a comunidade recebeu uma média de 1.500 pessoas nos últimos dois anos e que, apesar do aumento de moradores, não houve nenhum reforço em infraestrutura.

“Há algum tempo estamos reivindicando o aumento dos coletivos, mas a proposta da nova licitação é a retirada de três carros. Além de mal atendidos, vamos ter a redução do serviço. Isso é um absurdo”, diz.

Ele lamenta ainda a qualidade do serviço oferecido. “Tem gente que caminha até dois quilômetros com feira nas costas porque os ônibus não entram no bairro. Quando vão pegar o coletivo pra ir à cidade, têm que esperar 45 minutos. Com essa redução vão ter que esperar duas horas”, avalia o presidente, que pede ainda iluminação, segurança e sinalização na entrada do bairro, temendo pelo pior.

“Pode acontecer acidente grave aqui, vitimando várias pessoas, principalmente com os coletivos. Não existe desvio na BR e as pessoas têm que esperar os caminhões passarem para entrar no bairro. Queremos melhoria para nossa comunidade”.

Sobre a pavimentação, o secretário de Infraestrutura e Planejamento Urbano, Guilherme Guimarães, afirmou que a licitação e a execução das obras são feitas por etapas. “Uma obra não pode iniciar e ser prolongada indefinidamente. Vamos verificar para ver o que está acontecendo e se está diferente do planejado”.

Os outros secretários não foram encontrados para falar sobre as demandas da população.