O ano letivo nas escolas da rede municipal de Montes Claros pode começar sem a presença de todos os professores necessários para atender aos alunos. Faltando apenas 15 dias para o início das aulas, a prefeitura ainda não fez a seleção dos profissionais contratados. 

De acordo com o sindicato que representa os trabalhadores em educação na cidade, o Sind-Educamoc, o edital já deveria ter sido publicado, mas, até agora, não há uma posição do Executivo.

“É de grande importância um posicionamento claro da Secretaria de Educação, que deveria ao menos estabelecer uma data para o início das designações, tendo em vista que falta menos de 15 dias para o retorno das aulas. O processo não é rápido e não pode acontecer de última hora”, afirma Juliana Miranda, presidente da entidade.

Ela ressalta que, com todas as dificuldades por causa da pandemia, os professores conseguiram se virar e cumprir a tarefa. “Cabe ao município cumprir a parte dele para não haver prejuízo nem para professores nem para alunos”, diz.

Segundo Juliana, havia uma previsão de que o edital fosse publicado até o dia 13, o que não aconteceu. “Depois veio a informação de que os primeiros 15 dias seriam dedicados a atividades pedagógicas e que a Secretaria de Educação estaria assumindo a função dos professores e elaborando um material para ser entregue aos alunos. Mas quem vai trabalhar com estes alunos depois são os professores, que neste momento estão sendo descartados”, diz a professora M.A.P., que lamenta a situação e alerta que uma possível contratação só acontecerá em abril, com prejuízo do ensino.

A professora revela que em uma única escola de Montes Claros nove professores foram aposentados e o quadro de profissionais efetivos não é suficiente para suprir a demanda. Enquanto isso, cerca de 2 mil profissionais aguardam pela chamada da prefeitura. “Sem a contratação, o município vai usar as diretoras e supervisoras para fazer o trabalho dos professores”, avalia.
 
PREOCUPAÇÃO
Laura A. é mãe de uma aluna da rede e afirma que está preocupada com o aprendizado da filha. “Em 2020 tivemos que nos adaptar, mas os professores cumpriram a função de ensinar aos nossos filhos. Não quero simplesmente receber um material, ter que ajudar a resolver e depois devolver. A escola, remota ou presencial, é a responsável por isso. Sem professor não tem aula, não tem ensino”, diz.

Espera angustiante
A vereadora e professora Iara Pimentel pontua que o que mais angustia é o silêncio da Secretaria Municipal de Educação, que não se posiciona oficialmente sobre o atraso. “Os profissionais estão passando dificuldades e há 11 anos não é realizado concurso. Estão temerosos e à espera de um retorno que não acontece. A educação tem recurso próprio, não houve atraso e o repasse do Fundeb está em dia. O trabalho vai prosseguir por mais um tempo, pois ainda não fomos imunizados. A educação precisa e tem condições de iniciar o ano sem desfalque”. 
 
A secretária Municipal de Educação, Rejane Veloso, não atendeu a reportagem para falar sobre o assunto. As ligações também não foram atendidas pelo procurador Municipal, Otávio Rocha. Fontes da prefeitura que pediram para não serem identificadas informaram, no entanto, que o procurador teria autorizado o processo, mas a questão não foi tratada pela secretaria.