Além das denúncias de que a Prefeitura de Montes Claros estaria realizando maquiagem dos números da gestão para camuflar erros cometidos desde 2017, como a não aplicação dos 25% obrigatórios por lei em educação, o vereador Fábio Neves (PSB) joga luzes para uma suposta “parceria” entre o contador da Câmara Municipal e o do Executivo.

O parlamentar alerta que o município conta com a ajuda do profissional da Câmara, Ivan Fonseca, para encontrar brechas e corrigir as irregularidades. Mas o papel principal do contador do Legislativo deveria ser auxiliar os vereadores a fiscalizar os dados do gestor municipal, afirma Fábio Neves.

O vereador acusa a prefeitura de contratar os serviços de Ivan Fonseca, após o afastamento de três contadores de carreira do município, segundo Fábio Neves, “justamente para não ter problemas com o Tribunal de Contas do Estado (TCE)”.

O fato ganhou repercussão na reunião ordinária de ontem. E não teve como palco apenas o Plenário do Legislativo, no chamado “pinga-fogo”.

Poucos minutos após o encerramento da primeira sessão da Casa, quando O NORTE conversava com Ivan Fonseca, Wílson Altair Ramos, contador da Prefeitura de Montes Claros, entrou na sala do profissional do Legislativo.

Questionado se o “ajustamento” das contas era necessário, Wílson Ramos não titubeou. “Não tem nada de anormal nisso, em qualquer época”, ressaltou. “Com certeza existe trabalho em parceria, porque uma contabilidade não é dependente da outra, são poderes independentes, mas as contas são consolidadas”, afirmou. 

“O Ivan Fonseca ajuda nessa contabilidade, um trabalho conjunto, com certeza, nós inteiramos um com o outro, porque não tem como a prefeitura se dissociar da Câmara”, argumentou Wílson Ramos.

Ivan justificou o auxílio alegando que são “colegas de serviço, de classe, é para isso. E ele (Wílson Ramos) foi meu aluno”. Demonstrando nervosismo, o contador da Câmara de Montes Claros, igualmente responsável pelas contas de mais de uma dezena de prefeituras e câmaras no Norte de Minas, disse que “todo trabalho é integrado e há uma colaboração mútua de colegas”.
 
PEDALADAS
Ivan Fonseca disse desconhecer o fato de a prefeitura estar realizando “pedaladas”, por meio dos ajustes nas contas do município, situação reforçada pela revogação de decretos-lei por parte do prefeito Humberto Souto.

“Se houve alteração de dados é grave, gravíssimo. Então, se está tendo manipulação, a gente não pode avalizar e, realmente, eu desconheço”, afirmou.

O contador da Câmara garantiu que, ao contrário do que frisou o vereador Fábio Neves (PSB) em pronunciamento, “não tenho contrato com o município, não vivo de glórias terrenas e nem de dinheiro, porque nem só de pão vive o homem. Então, quando alguém me pede, estou pronto para ajudar”.

Ivan ressaltou que “não existe contabilidade de Câmara, existe contabilidade de município, isso porque o patrimônio é do município. O gestor é o município, a direção contábil é toda ela dada pelo município, o dinheiro é um só e o que recebemos é a prefeitura que passa, ou seja, as contas são consolidadas”.

Sobre as denúncias feitas na Câmara, Wílson Altair Ramos disse que “quem faz a denúncia é que precisa apresentar as provas”.

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