O jovem brasileiro, apesar da forte presença nas redes sociais, considera o debate político atual agressivo e intolerante, a ponto de levar a maioria deles (83%) a não comentar sobre o tema em seus perfis. Para 59%, o medo de ser julgado, cancelado ou tratado de forma agressiva justifica a opção pelo silêncio.

Os dados estão em uma pesquisa realizada pelo Ipec (antigo Ibope) junto a 1.008 jovens de 16 a 34 anos entre 18 e 21 de setembro e apresentada à imprensa nesta semana. A faixa da pesquisa representa um contingente total de 58 milhões de votos.

De acordo com o estudo, que procurou identificar as percepções sobre questões políticas e sociais desse público, o combate à fome e à pobreza, a geração de empregos e a preservação do meio ambiente são os valores sociais considerados mais importantes na atualidade e poderão estar entre os principais fatores para definição do voto dos jovens nas eleições presidenciais de 2022. 

Apesar de correr dos debates públicos nas redes sociais, a maioria dos jovens está disposta a participar da vida política, mostra o estudo. Na faixa etária de 16 a 18 anos, cujo voto é facultativo, 82% dos entrevistados disseram que vão tirar o título de eleitor para votar nas próximas eleições.

Quando perguntados sobre o motivo, 29% dizem que o momento político preocupante exige isso; 28% querem exercer seu direito de voto e 25% afirmam que os jovens devem participar da vida política. Esse contingente representa cerca de 5 milhões de votos.

O estudo foi encomendado pelo movimento cívico global Avaaz e pela Fundação Tide Setubal. 

CULTURA DO CANCELAMENTO
“Os jovens brasileiros querem votar e participar da vida política, mas a cultura do cancelamento e os debates agressivos que permeiam o ecossistema político os estão afastando. Se não trouxermos os jovens de volta ao centro do debate político, corremos o risco de perdê-los ou para a radicalização ou para a apatia”, avalia Marcio Black, coordenador do programa de Democracia e Cidadania Ativa da Fundação Tide Setubal.
 
MILITÂNCIA PARTIDÁRIA
Nos partidos, a pesquisa foi recebida com atenção, já que sinaliza um certo distanciamento dos jovens da militância tradicional. Para Júlia Moreira, coordenadora da Juventude Socialista do PDT-MG, o levantamento serve como um alerta, pois aponta a necessidade de os partidos se abrirem melhor para acolher a juventude. 

“É preciso pensar a participação do jovem na política e no processo eleitoral, dando oportunidade de acesso, o que inclusive, é uma tarefa de todos nós”, diz ela. “Os jovens se sentem representados quando encontram representantes alinhados com suas ideias e, mais ainda, quando conseguem fazer parte desses movimentos de transformação”, complementa.

No PSDB Jovem, a leitura é que a pesquisa indica alguns caminhos que os partidos precisam se antenar. “Como uma força de centro, fora do radicalismo, entendemos essa pesquisa como algo muito positivo, já que mostra que o jovem está buscando uma solução equilibrada, que abrace pautas econômicas e sociais sem extremismo”, prega Wellington Mucuri, um dos coordenadores da Juventude do PSDB-MG.