O maior distrito de Montes Claros, distante cerca de 14 km do centro da cidade, conserva a esperança só no nome. Na prática, moradores de Nova Esperança amargam o abandono da administração municipal e revelam não ter expectativa de melhoria a curto prazo. Os problemas estão por toda parte.

“Em três anos de espera, a única coisa que chegou rápido aqui foi essa doença maldita (referindo-se ao Coronavírus)”, diz *J. A., morador do local, que já soma 38 casos positivos da doença. “Não temos assistência, e quando a gente quer um tratamento decente, tem que marcar consulta em Montes Claros e pagar caro para ter saúde”, reclama.

Diabético e com idade avançada, J.A. se expõe duplamente ao risco cada vez que precisa medir o nível de glicose para controlar a doença.

“Os agentes não vêm mais à nossa casa e no posto não tem médico todos os dias. Pode ser que a gente chegue lá e perca a viagem porque não vai ter ninguém para atender. A médica adoeceu, ficou em isolamento e nesse tempo não colocaram ninguém no lugar”, reclama.

Outra moradora do distrito aguarda na fila por cirurgia para retirar uma pedra na vesícula e teme o pior. *B.C., tia da paciente, fala sobre a situação. “Eles cancelaram tudo por causa da pandemia e não deram mais nenhuma explicação. Ela fez o exame e o risco cirúrgico. O dia que chamarem o exame não vale mais. Foi um gasto sem efeito e ela sente muitas dores, não dá para ficar esperando”, diz, entristecida e preocupada.

B. ainda fala sobre a falta de profissionais para atender as comunidades no entorno. Em uma das mais próximas, Buriti do Campo Santo, caso a pessoa adoeça, precisa pagar em torno de R$ 30 para conseguir um transporte até Nova Esperança.

“Como não tem ônibus todos os dias, eles têm que pagar um carro, com risco de chegar e não ter o atendimento. Doença não tem hora marcada para aparecer. O paciente passa por uma triagem e se, aparentemente, não estiver muito mal, eles mandam voltar para casa e esperar. A prioridade de atendimento é para casos mais graves”, relatora a moradora.
 
PROMESSA
O vereador Sérgio Pereira esteve em Nova Esperança e constatou a precariedade do Distrito. E destacou que a falta de pavimentação respinga diretamente na saúde.

“Os moradores convivem com a poeira e sujeira das ruas. Todo dia alguém busca atendimento por causa de problema respiratório a agora com a pandemia não sabem se é alergia ou Covid”, observa o parlamentar.

“Não tem atendimento e não testam a população. Mandam ficar em casa, mas não mandam os agentes nas casas. A promessa da administração (municipal) era a de asfaltar, mas eles jogaram um cascalho e viraram as costas para o povo de Nova Esperança”, afirmou o vereador.

A quantidade de cães soltos nas ruas da localidade também chamou a atenção do vereador. 

“Um morador ficou por mais de 20 dias internado com calazar. O cão não é culpado, mas se ele está doente e um mosquito pica o cão pode levar a doença para as pessoas. A zoonoses não está indo a Nova Esperança e mais uma vez parece que, para o prefeito, o Distrito não existe”, afirmou Sérgio.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de saúde, mas até o fechamento da edição não conseguimos retorno. 

Na assessoria de comunicação da prefeitura, as ligações não foram atendidas.

(*) Nomes foram preservados, a pedido dos entrevistados.