Mitigar os efeitos da seca – que castiga duramente o Norte do Estado todos os anos – por meio de projetos alternativos é a palavra de ordem no Governo Estadual, que lançou ontem, em Montes Claros, o Plano de Convivência com a Seca.

No ano passado, 205 municípios decretaram situação de emergência devido à estiagem. Problema consome parte da receita dos municípios e, consequentemente, afeta o caixa do Estado.

O vice-governador Paulo Brant fez o lançamento do programa em solenidade que teve a presença de deputados e prefeitos da região.

“Há uma série de projetos em andamento e a nossa ideia é fortalecer o Idene (Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais) para que seja o catalizador de projetos e políticas para a região”, disse Brant.

Para o vice-governador, “é inadmissível durante tantos anos o Estado não ter conseguido uma alternativa mais estrutural para lidar com este problema”. Brant pontuou algumas situações que preocupam os munícipes e que já estariam sendo tratadas, como por exemplo o repasse de recursos às prefeituras.

“O primeiro passo foi o acordo que a gente firmou há um mês, voltando a repassar os recurso constitucionais. Temos algum problema na saúde, mas é de conhecimento público que a situação herdada é muito grave. O governo esta lidando com isso e a gente vai ter, a curto prazo, boas soluções para ter apoio maior aos municípios”.

Brant destacou a boa relação com o governo federal. “A gente tem uma relação quase que diária com o próprio presidente da República. Os problemas relacionados aos recursos para as barragens estamos tentando ver como equacionar”, disse, numa referência à verba para a barragem de Jequitaí, realocada para outro projeto.

Para o Chefe do Gabinete Militar do Governo, Coronel Evandro Borges, o plano proposto pelo governo estadual, com a participação de várias instituições, é salutar para minimizar os efeitos e manter a saúde financeira do Estado.

“A gente percebe prejuízos econômicos causados pela seca de 2010 para cá. Em 2017, foi da ordem de R$ 5,4 bilhões. No ano passado, R$ 1,5 bilhão. Este dinheiro poderia ser utilizado em outras áreas, em outras prioridades e não somente voltado para o problema da seca”.  
 
ATUAÇÃO CONJUNTA
Para que as medidas sejam efetivas, o Coronel disse que será necessária a atuação das prefeituras e citou exemplo de parceria das instituições que atuam no atendimento à saúde em Belo Horizonte.

“Um dos exemplos dessa capacidade de mobilização aconteceu na capital, onde a PM empreendeu a sua expertise e suas capacidades médicas para atendimento no Hospital do Barreiro à população com dengue. Aqui no Norte também, havendo um quadro dessa natureza, temos plena capacidade de coordenar e articular o sistema para também ajudar a dar a resposta necessária a população”, finalizou.

O prefeito Humberto Souto participou do evento, mas não se pronunciou sobre o tema principal do evento e nem sobre o surto de dengue que acontece em Montes Claros. Na Secretaria Municipal de Saúde foi emitida uma ordem proibindo que as unidades de saúde afixem avisos sobre problemas como a falta de profissionais para atendimento à população e suspensão de serviços.