A disputa política em Montes Claros ganha novo fôlego com a troca de ideias entre os candidatos que postulam a chefia do Executivo por meio do Programa Frente a Frente, que estreou ontem no canal Norte TV. O veículo digital vai atuar com uma dinâmica voltada aos assuntos gerais e de interesse da sociedade montes-clarense. Com a proximidade das eleições, o tema ganhou espaço e o programa vai realizar debates com os candidatos à prefeitura. 

O primeiro contou com a participação dos candidatos do Progressistas e do PMB. De um lado, o professor Ruy Muniz, da coligação “Juntos Podemos Mais”, que aposta na experiência administrativa para, segundo ele, recolocar Montes Claros nos trilhos do desenvolvimento. Do outro, o socorrista Idelfonso José Leite, o FonFon, que assim como Ruy, vê a fragilidade da área de saúde no município e propõe uma transformação no setor.

A saúde, aliás, foi um dos destaques do programa. Ambos alertaram para a baixa remuneração dos profissionais da área, especialmente em tempos de pandemia. “Falta gestão na pandemia e os recursos que chegam dos governos federal e estadual não têm sido aplicados de maneira eficiente, deixando a saúde desassistida e a população sem rumo, com um agravante: o município não presta contas sobre o uso do recurso público”, afirmou Ruy Muniz.

Outro ponto abordado pelo candidato do Progressistas foi a ausência de um controle e prevenção de enfermidades que eram feitos com um trabalho efetivo do Centro de Zoonoses. “Eles reduziram os agentes de saúde e não colocaram outros. Alguns aposentaram e não foram contratados novos agentes. Dos cerca de 600 da gestão passada, permanecem aproximadamente 400, número insuficiente para uma cidade do porte de Montes Claros”, pontuou Ruy.
 
IRREGULARIDADE
Por outro lado, estaria existindo excesso de contratação com fins eleitoreiros. A denúncia foi feita por Idelfonso. Ele disse ter recebido informações de que, em alguns postos de saúde, os “funcionários vão apenas para assinar o ponto”. “Enquanto isso, a saúde primária, que deveria estar sendo tratada pelo município, deixou de fazer o seu papel, que hoje é realizado pela urgência e emergência”, destacou Fon Fon.
 
AUSENTE
O fato de o prefeito Humberto Souto não sair de casa há exatos sete meses também foi motivo de crítica de ambos candidatos. Eles apontaram que o vice-prefeito, que deveria assumir na ausência do prefeito, foi “esquecido” por Humberto Souto, que deixou o barco sem leme.

Educação, segurança pública, serviços e infraestrutura mereceram destaque durante o debate. O candidato Ruy Muniz revelou que as obras inacabadas, cujos projetos foram deixados por ele, mas que o prefeito não conseguiu concluir, estariam superfaturadas, daí a dificuldade para colocar em prática todo o serviço.

O programa foi exibido pelo Facebook da emissora, com retrans-missão pelos jornais O NORTE, Hoje em Dia e Canal Universitário. Montes Claros tem oito candidatos a prefeito que poderão apresentar suas ideias nas próximas edições do programa.