A implantação do projeto Jequitaí, articulada pelo Comitê de Bacias Hidrográficas dos Rios Jequitaí, Pacuí e Trecho do São Francisco, dá mais um passo rumo a concretização. Desta vez, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), responsável pela parte técnica do projeto, participou de reunião em Belo Horizonte com a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

De acordo com o superintendente da Codevasf, Rodrigo Rodrigues, foram apresentados à equipe da secretaria todas as diretrizes do projeto e os resultados positivos que a obra irá gerar para o Norte de Minas, já que a parte fundiária e socioambiental está a cargo do Estado, a partir de termo de compromisso assinado com a companhia.

“Apresentamos também uma proposta à Cemig e, até o início de julho, poderemos assinar o contrato para o remanejamento da rede elétrica. Como o local será inundado pelo barramento do rio Jequitaí, a rede será transferida para a área de reassentamento dos produtores. O recurso para essa situação já está disponível na Codevasf”, disse Rodrigo.

O superintendente afirmou que, embora a obra física ainda não tenha o recurso para licitação, o que está em poder do órgão garante o andamento dos procedimentos e esse é um dos passos para viabilização da obra.

“O governo compreende a importância deste empreendimento e vamos acelerar ainda mais a parte que nos cabe”, disse Rodrigo, que espera a sinalização de mais recursos do governo federal, o que poderá acontecer ainda esta semana.

“Logo após a reunião realizada em Montes Claros, o Ministério do Desenvolvimento Regional anunciou recursos da ordem de R$ 50 milhões para a obra. Somadas as emendas de bancada e individual, totalizamos R$ 83 milhões. Estamos otimistas”, disse Rodrigo.

PROJETO
“Trata-se de um projeto com enorme potencial de desenvolvimento, com previsão de geração de mais de 100 mil empregos diretos e indiretos nas áreas de lazer, turismo e, sobretudo, no fornecimento de água e energia para Montes Claros e as cidades no entorno”, diz o idealizador e presidente do comitê que deu início ao movimento pelo Jequitaí, Wíllian César Ireno. A formação desse comitê aconteceu em uma reunião promovida há cerca de 15 dias em Montes Claros, com a presença de lideranças políticas e empresariais.

Outra situação citada pelo presidente é o aproveitamento da localização geográfica. “Acreditamos e defendemos a conclusão dessa obra para aliviar a carência da região, a partir da viabilidade de irrigação que vai tornar a região uma das maiores produtoras de alimentos. A área a ser irrigada está próxima dos grandes centros consumidores e das principais vias de escoamento, que são as BRs 135 e 365”, aposta.
 
ESTRUTURA
O Projeto Jequitaí está inserido no programa de revitalização da Bacia do Rio São Francisco. A capacidade de produção é estimada em 520 toneladas de alimentos.

O volume de armazenamento de água calculado é de 800 milhões de metros cúbicos ocupando uma área de 9 mil hectares nos municípios de Jequitaí, Claro dos Poções e Francisco Dumont.

O maciço da barragem será construído em Concreto Compactado a Rolo, com 278 metros de comprimento de crista e 41 metros de altura. A obra foi interrompida, depois iniciada em 2013 e posteriormente interrompida para readequação de projetos das pontes na rodovia MG-208, remanejamento das redes elétricas e regularização das áreas de reassentamento.

Estes novos serviços consumiriam recursos além do limite legal de 25% do valor contratado e extrapolariam o prazo. Com a nova licitação, o comitê espera que a obra finalmente seja concluída e traga a tão esperada “redenção” ao povo norte-mineiro.