A Câmara Municipal de Montes Claros fará hoje sua primeira reunião do ano com o novo quadro, após as eleições de 2020. No último dia 1º foram empossados os 23 vereadores, em uma cerimônia diferente, sem a pompa habitual.

Foram impostas limitações em função da pandemia pelo novo coronavírus, como a restrição de convidados no plenário e o uso de máscara pelos presentes.

A nova legislatura traz apenas dez novatos. São eles: Ceci Protetora, Edson Pereira, Eldair Gonçalves, Eudes da Silva, Iara Pimentel, Igor Dias, Stalin Cordeiro, Marlus do Independência, Odair Ferreira e Reinaldo Carrapicho.

Os 13 restantes foram reeleitos e compõem a base de sustentação do prefeito Humberto Souto, que também foi empossado, porém, como não sai de casa desde o início da pandemia, fez uma participação com discurso virtual.

Para assinar o termo de posse, foi enviado à sua casa um mensageiro. Na mesma solenidade, foi eleita a mesa diretora da Casa. O vereador Cláudio Rodrigues (Cidadania), candidato único, foi eleito presidente para o biênio 2021-2022, tendo como vice-presidente a vereadora Graça da Casa do Motor (PSL), Sóter Magno (PSD) como primeiro secretário e Bispo Stalin Cordeiro (Podemos) como segundo secretário.

A chapa recebeu o voto de 20 vereadores e três deles se abstiveram de votar: Iara Pimentel, Maria Helena Lopes e Wílton Dias, o que causou surpresa, já que os dois últimos compõem a base aliada do prefeito.
 
DIVERGÊNCIAS
Para o jornalista político Will Nunes, a eleição de agora indica que as divergências poderão acontecer de maneira mais explícita nos próximos meses.

“Apesar de chapa única e vitoriosa de Claudinho, observa-se que a vereadora Maria Helena não ficou nada satisfeita. De alguma maneira, ela se manifestou contrária a essa chapa e deixa evidenciado que ele tem pretensões políticas além do município. Faz parte do jogo político”, diz Will.

Segundo o analista, ambos estão no mesmo grupo que participou da eleição do prefeito e o Claudinho é muito próximo de Souto – foi secretário praticamente o mandato inteiro. “Então, é natural que ele tenha essa preferência. Ou seja, a disputa para 2022 já está latente dentro desse próprio grupo”, analisa.

Outro ponto de discórdia apontado pelo jornalista é sobre o retorno do vereador eleito Igor Dias para ocupar a pasta do esporte. “Embora o vereador não tenha confirmado a troca da Câmara pelo Executivo, o desenho da articulação dos bastidores ficou evidenciado com essa situação que levaria à condição de vereador o suplente do Igor. Com isso, uma possível dobradinha já selada com candidato a deputado federal, que excluiria de vez a vereadora”, especula o jornalista.

O que o povo diz
“A eleição da Câmara é o reflexo do que será essa próxima legislatura. Teve pouca renovação. Alguns bons quadros de vereadores que entraram, mas, infelizmente, a maioria dos eleitos são subservientes à gestão da prefeitura. Isso é ruim, porque nós passamos quatro anos com uma Câmara extremamente acovardada e passaremos mais quatro anos, porque a oposição, além de ser pequena, é fragmentada. Não tenho muita expectativa. Aposto em dois ou três vereadores de coragem. O restante, infelizmente, acho que não atuará com autonomia”, diz o estudante Ernesto Elias.
 
A operadora de telemarketing Ester Nunes diz que não deposita expectativa na Câmara, apesar de os vereadores serem os políticos que deveriam estar mais próximos dos seus eleitores. “Eu voto, mas confesso que não acompanho o trabalho deles. Muita gente cobra e não vejo nenhuma mudança. O desgaste é muito grande, porque ainda são apenas promessas”, disse.