Adilson Cardoso
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A marcha lenta sob o frio e a poeira que sobe aos trotes compassados do cavalo Mangalarga tem o objetivo de promover o resgate histórico e o incentivo ao turismo. Isto, para incremento do desenvolvimento sócio-econômico dos lugares por onde passa. Roteiros percorridos pelos tropeiros e bandeirantes no início da ocupação do território mineiro e no Ciclo dos diamantes.
O projeto é de iniciativa da Associação brasileira do cavalo Mangalarga Marchador, contando com parcerias do ministério do Turismo, da Unimontes - Universidade Estadual de Montes Claros e da InterTv.
Da Unimontes, um ônibus com mais ou menos trinta acadêmicos vai seguindo a mesma trajetória da cavalgada, pela sinuosidade das serras nos bate-bates do solo cru. Estão hipnotizados pelas belezas naturais que, em abundância passam pelas janelas.
Na parada que permite vislumbrar Diamantina; bem ao longe o vento frio típico da região aborda os fotógrafos amadores que se contorcem em busca dos melhores ângulos. Os olhos mergulham na imensidão do vale e vão buscar respostas lá no baú conservado da história.
Arraial do Tejuco e suas lendas, seus contos verossímeis e as fantasias envolvendo nossas riquezas, usurpadas pelos comedores de bacalhau. Uma leve dor fisga a alma ao pensar no negro que por ali passou, construindo o patrimônio que a humanidade tombou sobre seu cadáver, morto no pelourinho.
Em Serro, que foi uma das quatro primeiras comarcas da Capitania das Minas, a antiga Vila do Príncipe do Serro Frio, com características das vilas seiscentistas mineiras, o que lhe valeu ser o primeiro município brasileiro a ter seu conjunto arquitetônico e urbanístico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em abril de 1938.
O ônibus parou nas imediações da Igreja de Santa Rita, edificada no século XVIII, no alto de uma longa escadaria de onde se avista o Pico do Itambé, com 2044 metros de altitude.
Em Serro, os acadêmicos coordenados pelo professor Gilson José Froes, mudaram a rotina do frio climático da cidade, envolvidos na Praça de Esportes. Contam com expressiva participação popular, desenhando, pintando, cantando, aferindo a pressão arterial. Os moradores recebem orientação de como cuidar dos dentes e até como lavar as mãos.
À noite, sob os pés da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, o ônibus parte para Alvorada de Minas e, depois de três horas de estrada, chega ao sopro de um nevoeiro frio, mas com muito sorriso de hospitalidade. No dia seguinte, as atividades na Praça Castro Pires param literalmente o lugar de 4.000 habitantes. A exemplo do Serro, as atividades multidisciplinares alcançam com êxito todos os objetivos.
A saída desta vez foi para Morro do Pilar, que também recebeu a proposta com muita reciprocidade e carinho. Segundo Marcelo Correa Machado, diretor da ABCCMM, a contribuição do projeto para inclusão social não pode ser descrita com palavras. Só o tempo, que cavalga lento e na sua hora, vai dizer o que foi. E o professor Gilson José conclui:
- Nada é mais gratificante para nós, que abraçamos esta causa, que vê o sucesso no final de cada empreitada. O sorriso das crianças e os olhinhos lacrimejando pedem para ficar mais. Mas nossa missão é esta: chegar, cumprir o que nos foi determinado com todo amor possível, e pegar a estrada para outro sertão.
