Wendell Lessawendell_lessa@yahoo.com.br

Os perigos do relativismo e do pragmatismo religioso

Publicado em 02/04/2025 às 19:00.

Nos tempos atuais, um dos maiores desafios que a Igreja enfrenta não se encontra apenas nas ameaças externas, mas também nas ideologias e correntes de pensamento que proliferam dentro de suas próprias fileiras. Entre essas correntes, duas se destacam como particularmente perigosas: o relativismo e o pragmatismo religioso. Ambas as perspectivas, embora aparentemente distintas, compartilham a mesma raiz: uma atitude de flexibilidade em relação às verdades absolutas reveladas nas Escrituras. Do ponto de vista da teologia reformada calvinista, tais abordagens não apenas enfraquecem a integridade da fé cristã, mas também comprometem a autoridade soberana de Deus e a clareza da mensagem evangélica.

O relativismo é uma postura filosófica que nega a existência de verdades absolutas e, portanto, propaga a ideia de que a verdade é algo subjetivo, dependente do contexto, da cultura ou da experiência individual. Para o relativista, não existe uma verdade universal aplicável a todas as pessoas e em todos os tempos. No entanto, essa visão se choca frontalmente com o ensinamento das Escrituras, que afirmam que Deus é a fonte única e absoluta da verdade (João 14.6; 17.17), e que sua Palavra é a medida que deve orientar toda a vida humana (Salmo 119.105).

Dentro do contexto reformado calvinista, o relativismo é uma afronta direta à autoridade de Deus, que se revela de forma clara e precisa nas Escrituras. O relativismo propõe que a verdade é maleável, quando, na realidade, a Bíblia ensina que a verdade de Deus é imutável e eterna. O apóstolo Paulo adverte que as Escrituras não devem ser alteradas ou adaptadas conforme os caprichos humanos, mas que é nossa responsabilidade nos submeter a elas, reconhecendo-as como a autoridade final para todas as questões de fé e prática (2Timóteo 3.16).

Quando a Igreja adota ou até mesmo tolera uma postura relativista, ela se distancia da verdade imutável de Deus e começa a navegar em um mar de incertezas. O resultado disso é uma fé diluída, incapaz de oferecer um testemunho claro sobre o evangelho, que, segundo a Escritura, é a única “verdade que liberta” (João 8.32). A verdade de Deus, revelada em Cristo, não pode ser reinterpretada ou adaptada para se adequar aos tempos, como se fosse uma mercadoria moldável, pois ela permanece firme e invariável.

Se o relativismo busca enfraquecer a objetividade da verdade, o pragmatismo religioso, por sua vez, prioriza a eficácia e os resultados práticos acima dos princípios doutrinários e da fidelidade às Escrituras. O pragmatismo religioso é uma abordagem que visa adaptar a mensagem cristã às necessidades e exigências do mundo moderno, muitas vezes à custa da integridade teológica. Em vez de se preocupar com a fidelidade aos ensinamentos bíblicos, essa postura avalia o sucesso de uma prática religiosa com base nos resultados visíveis, como o número de membros em uma congregação ou a popularidade de certos programas ou estratégias.

O pragmatismo religioso pode ser particularmente sedutor porque ele oferece soluções rápidas para problemas complexos. Contudo, ao seguir essa abordagem, a Igreja corre o risco de sacrificar a pureza do evangelho em nome da relevância e do sucesso. De acordo com a teologia calvinista, a missão da Igreja não é agradar ao mundo ou buscar aprovação humana, mas ser fiel à mensagem da Palavra de Deus. O exemplo de Jesus Cristo e dos apóstolos, como vemos em Atos, é claro: a fidelidade ao evangelho e à verdade divina, mesmo que isso implique em sofrimento ou rejeição, deve ser o principal objetivo da Igreja.

O pragmatismo muitas vezes leva à superficialidade religiosa, onde o foco se desloca da glorificação de Deus para o agrado dos homens. Em vez de viver uma fé centrada em Cristo e em sua obra redentora, a Igreja se torna uma instituição que busca agradar aos gostos e desejos de uma sociedade que constantemente muda, mas que, como nos ensina o apóstolo Tiago, é “como a neblina que aparece por um pouco e logo se dissipa” (Tiago 4.14). O pragmatismo desvia o olhar da Igreja da cruz de Cristo e a conduz a um caminho que, embora aparentemente eficaz, é espiritualmente empobrecido.

Para a teologia reformada calvinista, a verdadeira fé não é uma construção humana, mas uma obra de Deus, que se revela de forma clara e suficiente nas Escrituras. Deus, em sua soberania, revelou-se ao homem de forma definitiva e completa na pessoa de Jesus Cristo e nas Escrituras Sagradas. O relativismo e o pragmatismo desafiam essa verdade, propondo que o homem tem a liberdade de moldar a verdade conforme sua própria compreensão ou conveniência. No entanto, a Bíblia nos ensina que a verdade que Deus revelou é clara, objetiva e absoluta, e não depende da interpretação humana para ser válida (2Timóteo 3.16-17).

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