Wendell Lessawendell_lessa@yahoo.com.br

Liderança eficaz: submissão e humildade

05/05/2022 às 00:17.
Atualizado em 05/05/2022 às 10:18

Aos 120 anos (Deuteronômio 31.1), embora com vigor (Deuteronômio 34.7), o profeta Moisés considerou o peso da idade, percebeu a chegada de sua morte e iniciou um suave e natural processo de transição de sua liderança para Josué. Moisés sabia que não entraria na terra prometida. Ele sabia que o Senhor estava indignado contra ele em razão do pecado cometido em Meribá (Números 20.2-13). Todavia, ciente de que Deus é imensamente misericordioso (Salmo 103.9), orou ao Senhor e implorou por sua graça, mas recebeu de Deus a resposta final: “não me fales mais nisto” (Deuteronômio 3.26).

O legado do formoso Moisés (Hebreus 11.23) foi insuperável e ocupou, de acordo com Geerhardus Vos, “o lugar mais preeminente na consciência religiosa de Israel”. O Senhor distinguiu claramente a sua liderança em relação à Miriã e Arão, chamando-o de “meu servo Moisés” (Números 12.7) e caracterizando o tipo de relacionamento revelacional: “boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a forma do SENHOR” (Números 12.8; Êxodo 33.11; 34.5). Os profetas posteriores a Moisés reconheceram sua eminente posição de comando sobre o povo de Deus, sua liderança sobre a toda a casa do Senhor (Números 12.7), e sua obra escatológica (que aponta para o futuro da igreja cristã – Isaías 10.26; 11.11; 63.11-12; Jeremias 23.5-8; Miqueias 7.15). 

No Novo Testamento, a narrativa de Lucas deixa muito evidente o lugar de Moisés na história de Israel e da igreja cristã (Lucas 16.29-31; Atos 7.23-44). O escritor aos Hebreus, igualmente, destaca que Moisés, “pela fé, abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível” (Hebreus 11.27; cp. Êxodo 3.2); “recusou ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado” (Hebreus 11.24-25). 

São inúmeras as características positivas da liderança de Moisés e de seu caráter, transmitidas a Josué, seu sucessor, e também espelhadas nele. Dentre elas, a obediência à Palavra de Deus e a humildade se destacam. Desde o primeiro momento de seu chamado, Moisés ouviu e atendeu em submissão a voz do Senhor (Êxodo 3.22). Ele era servo (Número 12.7), não exigia seus “direitos”. Sendo servo obediente, a palavra de Deus tornou-se sua única regra em toda decisão, julgamento e parâmetro para sua liderança e relacionamento com o povo (Êxodo 17.14; 24.4; 31.27). A vontade de Deus, expressa por suas palavras reveladas, tornou-se a vontade de Moisés (Números 29.40). Ele jamais desafiou, recusou ou afrontou a decisão revelada de Deus. Não é por acaso que o próprio livro de Deuteronômio é também conhecido por “palavras”, porque assim se começa a história: “São estas as palavras que Moisés falou a todo o Israel” (Deuteronômio 1.1). E as palavras faladas por Moisés eram as palavras de Deus: “O Senhor, nosso Deus, nos falou em Horebe” (Deuteronômio 1.6).

A humildade de Moisés é evidenciada quando sua autoridade é questionada por Miriã e Arão (Números 12.1-16). Eles se levantaram contra Moisés e o acusaram de se casar com uma mulher de Cuxe, uma região ao sul do Egito. Todavia, a verdadeira acusação era o ciúme que ambos tinham em relação a Moisés. Deus falava somente e diretamente com Moisés. Essa preferência divina estava incomodando Miriã e Arão: “Tem falado o SENHOR somente por Moisés? Não tem falado também por nós?” (Números 12.2). A informação que se segue à provocação é o centro existencial do texto: “Era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Números 12.3).

As últimas palavras de Moisés em Deuteronômio revelam sua completa obediência à palavra de Deus. Ele foi servo submisso e fiel. Além disso, demonstrou humildade ao lidar com oposições e crises. Dedicou-se a fazer aquilo para o que foi comissionado. Não revidava nem se queixava. Recebia de Deus e entregava com gratidão. A liderança eficaz reconhece seu lugar, nunca ultrapassa seus limites e age em benefício de todos com humildade.

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