Wendell Lessawendell_lessa@yahoo.com.br

Em defesa da disciplina

Publicado em 20/07/2022 às 22:50.

Em tempos de liberalismo e licenciosidade, é traumático falar sobre disciplina e autoridade em quase todos os ambientes. A palavra autoridade tem recebido uma significação bem distante da que é apresentada na Bíblia, especialmente em países como o Brasil, cuja ideologia política construída há alguns anos e difícil de erradicar se inclina para perspectivas que, frontalmente, contrariam princípios escriturísticos no que se refere à compreensão de hierarquias instituídas por Deus. 

Defender a autoridade individual é extremamente difícil e, nalguns casos, ir contra a correnteza social. Falar de autoridade de instituições é ainda pior, pois pouquíssimas pessoas em nossa sociedade compreendem o valor das instituições, uma vez que elas estão em crise. Estão em crise as instituições familiares, educacionais, políticas e, também, eclesiásticas. Filhos não respeitam seus pais, alunos desafiam seus professores. Muitos membros em igrejas cristãs não respeitam mais seus líderes. Não poucos ignoram o governo de oficiais cristãos, instituídos por Deus para liderarem suas vidas. Não poucos reagem a instruções pastorais como militantes políticos que vão às ruas reivindicar direitos de minorias. 

Em época de discursos de tolerância, é comum as pessoas encararem a disciplina como algo ruim, traumático para a vida da pessoa, invasivo. Todavia, não é assim que aprendemos na Bíblia. A disciplina tem papel terapêutico e profilático. Manter a disciplina individual e coletiva, nos espaços públicos e institucionais, é um caminho para o sucesso. Ao contrário, a indisciplina e a desordem promoverão sempre a perda em médio e longo prazos. 

As Escrituras nos ensinam aspectos preciosos a respeito de disciplina e autoridade. Em Provérbios 23.13, está escrito: “Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá”. Hebreus 12.8 afirma: “Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos”. No salmo 94.12, lemos: “Bem-aventurado é o homem a quem tu castigas, ó Senhor, e a quem ensinas a tua lei”. Provérbios 12.1: “O que ama a instrução ama o conhecimento, mas o que odeia a repreensão é estúpido”. Provérbios 15.10: “Correção severa há para o que deixa a vereda, e o que odeia a repreensão morrerá”. 

Há inúmeros outros textos bíblicos que poderíamos citar. Todavia, a autoridade das Escrituras também é questionada. Em tempos de relativismos linguísticos não se valoriza mais os objetivos do autor ao escrever um texto, mas apenas a influência que esse texto tem ou não sobre o leitor. É o leitor, e não o autor, quem define os limites do texto.

Estranho, mas é assim. Eu escrevo algo, mas quem diz o que eu quis dizer é o leitor e não eu mesmo. Por isso, é difícil até mesmo usar textos de autoridade para se falar de autoridade. A autoridade atual não é o que a tradição prescreve, mas o que o indivíduo acha ser o correto, ainda que o que ele defenda seja contrário à própria noção universal de racionalidade e coerência.

Uma sociedade que valoriza a disciplina, que mantém seus ritos, sua tradição, seus valores, que observa regras, estrutura-se sobre um alicerce sólido. É uma sociedade que não constrói sobre a areia movediça dos individualismos. É uma sociedade que valoriza tanto seus indivíduos que pressupõe haver acima deles uma regra universal de valores capaz de proteger até mesmo aqueles que, desejando apartar-se dessa mentalidade dessa sociedade, é trazido de volta à consciência por meio do uso das leis disciplinares.

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