Wendell Lessawendell_lessa@yahoo.com.br

Deus nos capacita para enfrentarmos os sofrimentos diários

Publicado em 22/09/2022 às 00:30.

Quando tudo parecia bem com Judá e o rei Ezequias, uma terrível notícia: “Naqueles dias, Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal” (2Rs 20.1). Ele foi avisado de sua condição pelo próprio Deus, por meio do profeta Isaías: “Assim diz o Senhor: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (2Rs 20.1). Imagine: uma reforma espiritual importante está sendo realizada e coisas boas têm acontecido em sua gestão; mas, de repente, algo parece querer interromper o sucesso. Não é difícil concluir que qualquer coração cuja fé não esteja solidamente firmada no Senhor tenderá a questionar os propósitos de Deus. 

Por que, Senhor? Logo agora que estamos começando a colher os bons frutos da reforma do culto? Logo agora que a igreja parece estar pacificada e novos membros têm chegado? Não parecia um bom momento para Ezequias morrer. Todavia, a notícia triste trazida por Isaías ao rei foi de que ele morreria em breve. 

Entretanto, a infinita e persistente graça do Senhor nos capacita diariamente para enfrentarmos os sofrimentos que sobrevêm sobre nós. Viver neste mundo caído não é tarefa fácil. “Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no maligno” (1Jo 5.19). O nosso Senhor nos advertiu que teríamos muitas aflições neste mundo (Jo 16.33). O apóstolo Paulo e Barnabé, exortando nossos irmãos em Listra, Icônio e Antioquia, ensinavam que “através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.22). 

O sofrimento pode ser uma provação para nos aproximar mais do Senhor e ampliar nossa intimidade com ele. Paulo, escrevendo aos Coríntios, disse que “assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo” (2Co 1.5).  

O pastor João Calvino, comentando esse texto, escreveu: “É verdade que tanto os bons quanto os maus participam das misérias e dificuldades desta presente vida; porém, para os ímpios, os sofrimentos são sinais da maldição divina, porquanto são resultado do pecado; sua única mensagem é a ira de Deus e a nossa comum participação na condenação de Adão, e seu único resultado é o abatimento da alma. 

Porém, por meio de seus sofrimentos [gerados pelo testemunho de Cristo], os crentes estão sendo conformados a Cristo, e produzem em seus corpos o morrer de Cristo, para que a vida de Cristo seja um dia manifestada neles”.

Enquanto Senaqueribe estava recebendo a maldição divina como salário de seu pecado, por meio da manifestação justa da ira de Deus, Ezequias recebia seus sofrimentos para ser cada vez mais conformado a Cristo, seu Senhor, a fim de produzir no coração do rei maior certeza do perdão de seus pecados e sua eterna salvação. Exatamente em razão da distinção da aplicação da graça especial no coração de Ezequias, que o fez crer com a fé salvadora no Deus de Israel, Senhor da aliança, foi que ele, com piedade e santo temor, “virou o rosto para a parede e orou ao Senhor, dizendo: Lembra-te, Senhor, peço-te, de que andei diante de ti com fidelidade, com inteireza de coração, e fiz o que era reto aos teus olhos; e chorou muitíssimo” (2Rs 20.2). 

Assim como Salomão, que poderia pedir a Deus qualquer coisa, mas invocou por sabedoria, Ezequias não pede para não morrer, mas para que o Senhor se lembre dele. Outra oração com esse mesmo teor foi feita anos mais tarde (Lc 23.42). A resposta a esta segunda oração (Lc 23.43) indica que a razão da primeira (2Rs 20.5). Tanto Ezequias quanto o ladrão na cruz não pediram por coisas desse mundo, mas para que o Senhor se lembrasse deles no santo reino. 

É a graça suficiente que nos capacita para enfrentar as lutas diárias. Mesmo diante de notícias devastadoras, somos sustentados pelo Senhor da aliança que promove em nós corações crentes e satisfeitos na vontade dele.  

Amém!

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