Wendell Lessawendell_lessa@yahoo.com.br

A tragédia da Guanabara

Publicado em 04/08/2022 às 01:41.

No dia 7 de março de 1557, um sábado, adentravam a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, 14 calvinistas franceses (huguenotes) com o objetivo de reforçar a pregação da teologia bíblica reformada e calvinista no Brasil. Desembarcaram na França Antártica no dia 10. Estavam felizes com a missão de criar uma igreja reformada entre os franceses que moravam no Brasil, bem como evangelizar os índios. Dentre eles, estavam os ministros Pierre Richier, doutor em teologia, e Guillaume Chartier, que traziam suas credenciais assinadas por João Calvino. A chegada trouxe também o que ficaria conhecido como o primeiro culto protestante brasileiro. O ministro Pierre Richier, de 50 anos, experiente e versado nas Escrituras, orou ao Senhor. Eles cantaram o salmo 5 e depois ouviram a pregação de Richier no salmo 27.4.

Por ordem do comandante Nicolas Durand de Villegaignon, os pastores pregavam diariamente e duas vezes aos domingos, oravam ao final do turno de trabalho e serviam a ceia do Senhor. Diferentemente da complexidade dos ritos católicos, os huguenotes eram simples na celebração do culto a Deus e dos sacramentos. Mas isso começou a irritar Villegaignon, que procurou meios de interferir nas formas religiosas, questionando vários pontos doutrinários, alguns deles absurdos, como sugerir colocar sal na água do batismo e água no vinho da ceia.

Começaram as aflições. Villegaignon contraditou publicamente Richier numa pregação sobre o batismo de João, proibindo-o de pregar, afastou-se severamente dos pastores, restringiu o tempo das pregações, considerou João Calvino herege, expulsou os calvinistas da ilha e se tornou tirano, matando calvinistas de fome, fazendo-os beber água de cisternas sujas e podres, e retendo os salários.

Em 4 de janeiro, um grupo de calvinistas tomou um velho navio de volta à França, com superlotação e sem comida suficiente, sob acusação de heresia por parte de Villegaignon, e com uma solicitação para que condenasse calvinistas à fogueira.

Cinco decidiram não viajar: Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, Andre La Fon e Jacques Le Balleur. Embora Villegaignon os tenha recebido cordialmente, 12 dias depois ele os considerou traidores e resolveu matá-los por heresia. Formulou um questionário sobre tópicos doutrinários e ordenou que respondessem em 12 horas .Tinham apenas a Bíblia para consultar. As respostas é o que conhecemos como Confissão de Fé da Guanabara.

De posse das respostas, Villegaignon os considerou oficialmente hereges e mandou trazê-los para serem mortos. Decidiu estrangulá-los e jogá-los ao mar. Pierre Bourdon não veio, estava doente, mas foi trazido depois à força e morto por último. Jacques Le Balleur conseguiu fugir. André Lafon não perseverou e renunciou ao calvinismo. Jean du Bourdel e Matthieu Verneuil foram humilhados, espancados, estrangulados, jogados de cima do forte de Coligny.

Esses três resolveram sustentar a verdade do evangelho, sob circunstâncias extremas de iminência de morte. Não tinham mais do que a Bíblia e responderam com profundidade às questões. Deram prova de sua fé e consideraram mais importante servir à verdade do que se tornarem aceitáveis aos homens. Este é o maior desafio de todo ser humano: saber a quem servir. Uns servem ao dinheiro, à fama, à popularidade. Outros se inclinam na presença do Senhor do Universo e entregam a Ele a direção de suas vidas. Assim fizeram os que morreram pela fé e, por essa mesma fé, aguardam a consumação de todas as coisas a fim de que vivam para sempre a eternidade com o seu Senhor.

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