Wendell Lessawendell_lessa@yahoo.com.br

A soberana preparação de um povo

Publicado em 25/08/2022 às 00:10.

Desde sempre, Deus planejou manter um povo organizado, unido, fortalecido com o propósito de cumprir suas deliberações. Ele escolhe, delega tarefas e estabelece funções, reúne com exatidão um grupo, a fim de que Seu nome seja evidenciado em todas as nações.

O livro bíblico de Números inicia com a preparação de um exército, a organização de um povo para sua jornada até seu objetivo e a detalhada distribuição de cada tribo no acampamento. Ao longo do deserto, Israel enfrentaria inimigos, externos e internos, e deveria estar bem preparado, com liderança capacitada e estratégia de combate. Era necessário estabelecer um organograma, com as funções de cada tribo dentro do povo, com seus líderes específicos e suas famílias.

Moisés, líder proeminente e submisso a Yahweh, chamado pelo próprio Senhor para guiar e liderar os israelitas – a fim de que chegassem à terra prometida, de acordo com a ordem do Senhor – levanta o censo de toda a congregação dos filhos de Israel (Nm 1.1-2). Cada detalhe é observado. Lideranças são estabelecidas sobre cada grupo especificamente (Nm 1.4). São chamadas de os “príncipes das tribos de seus pais, os cabeças dos milhares de Israel” (Nm 1.16). 

Além dos líderes, cada tribo é devidamente contada (com exceção dos levitas, por sua função específica – Nm 1.47-54) e estrategicamente posicionada no acampamento (Nm 1.20–2.34). Nas quatro extremidades cardeais, havia três tribos em cada. Ao Norte: Dá, Aser e Naftali; ao Sul: Rúben, Simeão e Gade; a Leste: Judá, Issacar e Zebulom; e a Oeste: Efraim, Manassés e Benjamim. Cada uma marcava o seu território fincando “estandartes”.

E por que essa organização é tão importante e o que ela nos ensina sobre Deus e sobre nós? Há, pelo menos, três aspectos que revelam o caráter de Deus e o seu propósito para conosco. 

Deus é organizado – o Senhor, desde o princípio, nos ensina sobre o seu estilo organizacional. Já na criação do mundo em seis dias, tirando o sétimo para descanso, com detalhes específicos da criação em cada um deles (primeiro criando as estruturas nos três primeiros dias – Gn 1.3-13 – e depois, nos outros três, preenchendo essas estruturas – Gn 1.14-31), nos mostra o valor do planejamento, da boa administração do tempo e da ordem necessária das coisas. Jesus Cristo também demonstrou essa organização na multiplicação dos pães e peixes, ordenando que as pessoas se assentassem em grupos organizados (Lc 9.14-16) e, também, na parábola da casa edificada sobre a rocha (Mt 7.24-27). O povo do Senhor precisa de ordem, estrutura, boa administração e governo. Vemos isso claramente na contagem do censo e na disposição do acampamento (Nm 1–4). 

Deus delega ofícios e funções – o Senhor não trabalha sozinho. Embora seja autossuficiente e não precise de nós para governar nem cumprir o que determinou, Ele escolheu, em Sua livre soberania, chamar e comissionar pessoas para o cumprimento de Seu propósito, a partir dos próprios métodos. Ele estabeleceu o método e nos faz conhecê-lo, a fim de que sejamos Seus instrumentos na promoção da fé e na transmissão da verdade (Tt 1.1). Ainda que não saibamos sempre exatamente como Deus quer nos usar, e nem tudo pareça ajustado, de acordo com os nossos olhos (Gn 37.1-36), existimos para os Seus propósitos e não para os nossos (Is 43.20-21; Ef 1.6). Vemos como Deus escolheu os cabeças sobre as tribos (Nm 1.4-15) e como ordenou o ofício dos levitas e as funções dos filhos e respectivas famílias (Nm 3.1-4.33).

Deus determina o número exato de escolhidos – as Escrituras os chamam de “eleitos” (Sl 135.4; Ef 1.4-6; Cl 3.12; Tt 1.1; 1Pe 1.2; Ap 17.14). Deus define o número exato daqueles que serão adotados por Ele (Ef 1.5), que pertencerão ao seu povo e lutarão nas frentes de batalha contra os exércitos inimigos. Reúne o povo conforme o Seu propósito (Ez 37.21-23; Jo 15.16), para Sua glória e louvor (Ef 1.11-12) e transforma os eleitos em cidadãos de um só reino (1Pe 2.9-10). Deus determina com exatidão o número dos vitoriosos que receberão a coroa da vida (Ap 2.10; 14.1-4). Vemos isso na insistência enfática do narrador de Números ao apresentar cada designação, “conforme o mandato do Senhor” (Nm 4.37,41,45,49).

O que aprendemos é que, desde sempre, Deus planejou manter um povo organizado, unido, fortalecido com o propósito de cumprir suas deliberações. Ele escolhe, delega tarefas e estabelece funções, reúne com exatidão um grupo, a fim de que Seu nome seja evidenciado em todas as nações. Esse povo escolhido tem o propósito final de glorificar a Deus em tudo o que faz. Cada decisão individual deve refletir a razão pela qual Deus criou o homem: glorificar ao Senhor e usufruir de Sua graça.

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