Tenho tido a preocupação de não avançar o sinal fazendo análise precipitada do processo eleitoral deste ano, imediatamente após o fechamento da janela de transferência eleitoral. É fato que neste primeiro momento assistimos algumas transferências pouco provável, principalmente de candidatos historicamente ligados à direita que se filiaram em partido que deve abraçar a candidatura da esquerda em Minas Gerais. O certo é que uma leitura correta só teremos após a acomodação dos partidos com os candidatos na majoritária.
Arlen e Laís
De certa forma, a transferência do deputado estadual, Arlen Santiago, do Avante para o MDB, bem como de sua filha Laís Santiago para o PDT, acabou pegando todos os analistas políticos de surpresa. É que declaradamente a família Santiago apoia a candidatura ao Governo de Minas de Mateus Simões (PSD) e neste primeiro momento o desenho é de que tanto o MDB como o PDT possa figurar entre os partidos que apoiará o candidato do grupo do presidente Lula (PT). Como sei que o parlamentar é bom articulador quero acreditar que houve negociação para que tenha liberdade de decidir em quem apoiar na majoritária.
Foguete Molhado
Peço paciência aos leitores em relação a análise das candidaturas a deputados do Norte de Minas. Devido a limitação de espaço não tenho como fazer um comentário geral. Entretanto, ao longo da semana estarei comentando. Infelizmente alguns nomes colocados foram apenas para compor cenário. É o chamado "foquete maiado".
Eduardo Cunha
A permanência do ex-deputado federal carioca, Eduardo Cunha ao Republicanos e o fato de ter convencido o presidente na agremiação em Minas, deputado Euclydes Pettersen, a disputar as eleições por Minas Gerais, gerou turbulência dentro da agremiação em especial no grupo do Senador Cleitinho, que não teve força para barrar. Ele acredita que a filiação pode atrapalhar seu projeto na disputa pelo Governo de Minas. Como Cunha teve apoio do deputado estadual João Magalhães (PSD), líder do governador Mateus Simões (PSD) na Assembléia Legislativa, não está descartada a possibilidade de abandonar o candidato do seu partido para abraçar o projeto governista. Aliás, Cunha vem apostando nas emissoras de rádio adquiridas no Estado, bem como lideranças evangélicas.
Compondo cenário
Por pouco o presidente do Avante, que é votado no Norte de Minas, apesar de ser de outra região, não encontraria pessoas para fechar a porta do diretório do partido. Na janela de transferência eleitoral a debandada foi geral e hoje o desenho mostra que se tiver sucesso o partido deve eleger no máximo dois deputados federais. Aliás, a situação chegou a tal ponto que a agremiação lançou o psiquiatra e escritor Augusto Cury como candidato à Presidência da República. Na prática o nome é apenas para compor cenário e dificilmente conseguirá sequer aparecer nos holofotes do processo.
