Terezinha Camposterezinhaorquidea@gmail.com

Alfabetização: um ato de amor

Publicado em 08/09/2022 às 21:39.

O Dia Mundial da Alfabetização é celebrado em 8 de setembtro: uma comemoração justa para o trabalho daqueles que se esforçam numa busca incansável de métodos para alfabetizarem crianças e adultos. Ou melhor, na busca de ensinarem a ler, já que “o processo de alfabetização acontece ao longo de nossas vidas”, como bem disse o emérito professor Darcy Ribeiro. Todos os dias somos alfabetizados porque “vivemos e aprendemos e morremos sem saber tudo”, como diz o adágio popular.

Aprender a ler e ler é uma grande emoção para quem ensina e para quem aprende. É uma espécie de libertação, é uma liberdade sem precedentes, é a descoberta de um novo tempo, de uma nova vida, de descobertas as mais diversas através dos livros.

Fui alfabetizadora e conheci muitos métodos através dos quais eu alcançaria o aprendizado dos alunos a mim confiados. E até usei muitos deles; e até misturei-os e consegui alcançar o resultado da leitura. Gostaria de que soubessem que todo método ensina, que todos eles são eficientes.

Minha primeira experiência na alfabetização foi quando eu aprendi a ler. Fui para a escola lendo e quem me ensinou a ler foi meu pai; e meu saudoso pai que não teve vida na escola, mas que na escola da vida ele aprendeu a necessidade de se interpretar os escritos , que estavam à sua volta. E foi assim que na escola da vida ele aprendeu a leitura através de tudo que o rodeava: rótulos, jornais jogados fora, livros abandonados com mofo, assim ele aprendeu a leitura e ensinou-a a mim.

Tive uma aluna, enquanto alfabetizadora, que me chamou à atenção. Naquela classe, todos iam muito bem: alguns lendo no tempo previsto, outros aquém do tempo, mas a classe era um sucesso. 

Aquela menina porém não aprendia a ler. Ela cantava, ela se interagia com os colegas, era participativa; mas o tempo passava. O tempo passava e ela não lia. No mês de agosto, eu intensifiquei as orações em favor daquela aluna; e comecei a dar aulas de reforço para ela no final do turno escolar. Eram apenas 30 ou 45 minutos.

Ali eu me dedicava sem pressa, contando histórias, recitando poesias aplainando o caminho para que ela atravessasse vencendo as dificuldades; trazia revistas de histórias em quadrinhos; exercitava uma produção de texto oral analisando gravuras. E assim fomos. Terminou agosto, terminou setembro e no fim de outubro ela leu melhor do que o que lia melhor na classe. 

Um milagre? Sim, um milagre. E eu presenciei muitos outros na vida dos alfabetizandos.

Há professores que pegam o aluno pelo braço e vai o arrastando sobre os pedregulhos do caminho, sobre os espinhos; e o aluno cai, esfola o joelho se machuca, mas ele aprende; e tem aqueles que seguram a mão do menino e vai no passo dele aplainando o caminho, limpando dos empecilhos e se ele cai eles o ajudam a levantar-se passa um pano úmido em seus pés e prosseguem.

Todos os métodos ensinam! Todos são eficientes! Mas aprendi que quando buscamos a direção de Deus para a embarcação ela não afunda e alunos e professores impregnados pelo amor de Deus faz da alfabetização um ato de amor!

Bênçãos de Deus sobre todos os professores-alfabetizadores!!!

Aprender a ler é uma grande emoção para quem ensina e para quem aprende. É uma espécie de libertação, é uma liberdade sem precedentes, é a descoberta de um novo tempo, de uma nova vida, de descobertas as mais diversas através dos livros.
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