Bruna Louise FonsecaPsicóloga e egressa da Faculdade de Saúde e Humanidades Ibituruna (Fasi-Funorte)

A solidão do luto

Publicado em 09/04/2026 às 23:26.

“Acabei de perder a pessoa mais importante na minha vida, quem eu mais amei. No primeiro instante de sua partida, sinto-me sufocada com tanta atenção, preocupação, mensagens de solidariedade. Mas a ficha ainda não caiu, estou anestesiada.

Quando a ficha começa a cair, percebo que grande parte do meu tempo era direcionada a ela — a minha pessoa favorita no mundo, quem eu mais amei, ainda amo e sempre amarei — e não sei o que fazer com esse tempo livre, aí vem o vazio, a solidão. Vazio esse que nunca será preenchido novamente, por mais que eu tente. Esse lugar é dela, sempre será. E é neste momento que mais preciso de alguém, não tem ninguém.

Minha vida não é mais a mesma, estou sozinha, ninguém me entende, ninguém percebe quando não estou bem. Era ela, só ela. Sinto falta do seu abraço, da sua companhia, da sua presença, mesmo que no silêncio. Agora estou sozinha no mundo. Mesmo que tenha outras pessoas na minha vida, a solidão me invade, não é a mesma coisa, esse vazio é insubstituível.”

O luto é algo comum a todos, em algum momento da vida todos passarão por isso. Alguns mais, outros menos vezes, mas todos vivenciarão a perda de um familiar. Durante o processo da perda, é comum o sentimento de solidão e, quanto mais próxima a pessoa falecida, maior a dor da perda.

Perder alguém que já estava doente, no qual o processo do luto já vinha sendo construído, não prepara para a dor da perda, tampouco perder alguém inesperadamente, não há muita diferença nas duas formas.

Cada pessoa vivencia de forma diferente o luto, não há uma receita para este momento, por mais que haja as fases do luto, como descreve a psicóloga Elisabeth Kübler-Ross, sendo: a negação, raiva, barganha, tristeza profunda e aceitação. Não há uma ordem específica para as fases acontecerem e nem garantia de que as pessoas passem por todas elas. 

E, como pode-se observar no relato acima, a solidão é uma emoção que pode predominar na vida de quem fica, principalmente pela perda de alguém que compartilhava a vida, a rotina. A pessoa amada vai, mas o vazio fica e é insubstituível. É importante reconhecer a solidão da perda, a importância que a pessoa teve em sua vida e, mais importante ainda, aprender a conviver com o vazio, sentir toda a dor. Pois é, enfrentando o sofrimento, vivenciando que se aprende a lidar com a dor e com o vazio que fica. Negar o sofrimento por muito tempo, fugir, não é saudável, muito pelo contrário, só prolonga o sofrimento na tentativa de enganar a si mesmo.

Os sintomas do luto são diversos e únicos para cada pessoa. Como descrito já pela tristeza profunda e prolongada, compulsão alimentar e por compras, excesso de falta de apetite, ansiedade intensa, perda no sentido da vida, solidão exacerbada, negação extrema, medo e culpa excessiva, isolamento social, dificuldade de falar da perda, sentimento de incompreensão, perda do prazer nas atividades rotineiras e muito mais. Não existe um prazo determinado para o que luto passe, pois a experiência é única para cada um; por isso, deve-se estar atento à intensidade e durabilidade quando afetam a vida e a rotina da pessoa, esse é o momento de procurar ajuda profissional, principalmente um psicólogo.

Ter uma rede de apoio é essencial para o enfrentamento do luto e sentimento de solidão, por mais que não seja a mesma coisa de quando tinha a pessoa querida junto. Poder falar quantas vezes forem necessárias para poder elaborar as emoções. Para quem tem dificuldade de verbalizar o que sente, a escrita é uma excelente forma de se expressar também, mas há quem prefira desenhos, prática de esportes e atividades físicas, que também são de fundamental importância, essencialmente quando a ansiedade está elevada. São diversas as formas para expressar o que sente e nenhuma substitui a outra, principalmente a ajuda profissional de um psicólogo. 

É preciso tentar voltar para si constantemente. Voltar a fazer as coisas que lhe façam prazer, por mais difícil que seja. Não é apenas o ente querido que se vai, é uma versão de quem éramos com aquela pessoa que falece também. Mas a vida continua, mesmo com o vazio, com a solidão. Que aprendamos a conviver com esse vazio e a solidão. 

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