Tendo em vista que o ser humano é considerado um ser biopsicossocioespiritual, o autocuidado envolve a capacidade de perceber e promover o bem-estar, equilibrando a interação entre estas dimensões. Cultivar hábitos de cuidados para si vai muito além da estética, que também tem sua importância, compreendendo que o ser humano é completo e complexo.
Os cuidados biológicos ou físicos envolvem o corpo, diretamente ligado ao mental e vice-versa. Que é cuidar da alimentação com equilíbrio, sono de qualidade, praticar atividade física, fazer exames de rotina, descansar o corpo. Muitas vezes, o cansaço e desânimo extremos ao fazer coisas simples e rotineiras estão ligados à baixa de vitaminas, que pode ser confundida com depressão, por exemplo, por isso se fazem tão necessários exames de rotina completos. E a prática de atividades físicas reduz os níveis de estresse e ansiedade.
Cuidar do aspecto psicológico diz respeito ao emocional e mental, que consiste em compreender e expressar as emoções de forma saudável e, consequentemente, previne adoecimentos mentais. Assim como o corpo influencia o mental, o psicológico também influencia o corpo, pois o que não é dito se transforma em dores e/ou doenças físicas.
Entender como cada um se expressa emocionalmente é de suma importância. Existem várias formas de se expressar, como falar, escrever, desenhar, pintar, entre outras. Todas elas são importantes e funcionais. Ao verbalizar o que sente, soa diferente ao se ouvir, traz uma compreensão maior a respeito do que está acontecendo.
No que diz respeito ao social, precisamos conviver com outras pessoas e cultivar relações saudáveis é fundamental para a saúde mental. Cercar-se de pessoas de quem gosta e confia, que há trocas genuínas e que possam contar mutuamente. Nem toda relação é saudável, seja ela familiar, amorosa, de amizade, trabalho, de qualquer meio que circule e traga prejuízos para a pessoa e sua saúde mental. Sendo assim, é preciso estabelecer limites conforme o necessário para manterem relações minimamente respeitosas.
A espiritualidade também é reconhecida pela Psicologia como parte integradora da formação humana, ela é maior que a religião e está ligada à fé, acreditar em algo maior. Independentemente de sua crença, de sua religião e até mesmo do fato de não acreditar que há algo maior que a humanidade, deve ser respeitada acima de qualquer coisa. Acreditar numa força maior pode trazer maior sensação de paz, esperança, propósito de vida, o que pode ajudar a lidar melhor com as adversidades da vida.
Também é importante salientar que cuidar de si mesmo, se priorizar, não é egoísmo, muito pelo contrário. Uma pessoa que cuida de si, compreende e expressa suas emoções adequadamente, cuida melhor do outro, reconhece o seu valor e sabe estabelecer limites tranquilamente quando necessário, sente menos culpa por fazer o que é melhor para si mesma.
Em relação ao sentimento de culpa, seja por qual for o seu motivo, é importante aprender a se perdoar, pois fazemos aquilo de que damos conta em cada momento. Reconhecer e aceitar esse fato diminui o sentimento de culpa.
Descansar também é um hábito relevante de autocuidado, respeitar o limite do próprio corpo, seja ele mental ou físico. Principalmente na atualidade, que prega e preza tanto a produtividade, como se estar ativo integralmente fosse sinônimo de produtividade, mas não. Uma pessoa que cuida de si, equilibrando todos os aspectos humanos, incluindo descansar quando necessário, produz com mais qualidade em relação a uma pessoa que não consegue equilibrar suas necessidades.
Na psicologia, tem um dizer essencial para isso: “todo excesso esconde uma falta”, e vale para qualquer que seja o excesso que a pessoa se esconde por trás dele. E isso nos mostra o quão fundamental é a busca pelo equilíbrio. E, quando não é possível fazer sozinho, precisa-se buscar por ajuda profissional de psicoterapia que auxilia na busca por autoconhecimento e autonomia, compreendendo a complexidade e totalidade do ser humano e do quão importante é praticar hábitos que promovam o bem-estar.
