O problema mais incômodo dos veículos e suas mil mazelas, nos dias que correm, é o que fazer com ele, ao se chegar ao destino. Não há vagas!
O engenheiro alemão Karl Benz, registrou um carro movido a combustão em 29 de janeiro de 1886, ao patentear o Benz Patent-Motorwagen. A imagem de sua esposa Bertha Benz, aos 39 anos, atravessando106 km nesse carro é bucólica, e o casal não imaginaria que seu invento, considerado em todo o mundo como o precursor dos carros atuais, se transformaria em monstro soltando fumaça poluente pelo escapamento. Por aqui, ainda são poucos os carros elétricos.
Montes Claros, cidade de 443.000 habitantes – estimativa –, tem ruas centrais estreitas e quadras curtas, nas quais o trânsito se vê repleto de gargalos. Dirigir é um exercício de paciência, movido a estresse. E que os engenheiros de tráfego estejam em alerta permanente!
Temos aproximados 244 mil veículos, sendo em torno de 85 mil carros, 95 mil motos e 64 mil caminhões, ônibus, reboques e utilitários. O motorista nota rapidamente a grande quantidade de motos quando para no sinal. Caso fosse se preocupar com isso, melhor seria não dirigir na cidade. Cuide de guiar sem pressa, com atenção, tanque cheio, veículo revisado, documentação atualizada, seguindo as leis de trânsito e ainda será pouco.
O sinal se fecha e as motos vão tomando a dianteira dos carros, movendo-se de forma equilibrista, pé no chão, e raspando palmo a palmo a tinta e retrovisor alheios. Nos horários de pico de 7 às 8h, 11 às 12h, 17 às 18h e 19h, juntam-se dezenas de motos em cada sinal. Saem na frente e adquirem velocidade em um instante, por isso, quem tiver juízo não atravessa a rua caso venha uma moto. Em poucos segundos ela chega.
Outro momento de perigo é de 22h à meia noite de sábado, quando se dá a máxima entrega de comida. O piloto de moto arrisca a vida nas esquinas, porque trabalha contra o tempo. É preciso chegar ao destino da entrega em dez minutos, não porque o estômago tem pressa, mas porque é urgente fazer tudo rápido para ganhar a vida, o sustento de sua família, arriscando-se em frações de tempo, pois lhe pagam ninharias. A maioria é jovem e passa tão veloz, que mal é vista.
Os arredores estão coalhados de carros. Essa característica de cidade grande mostra como Montes Claros está populosa e como pululam veículos em todos os lugares, principalmente em frente aos bares. Em bairros mais distantes, a situação é quase igual ao centro e principais vias de acesso: há fila na esquina, além de dificuldade de se estacionar, porque quase todas as casas têm garagem ou aclive para motos.
A cidade evoluída dá oportunidade para todos, com rampas de acesso para cadeirantes, piso tátil nos passeios para guiar deficiente visual e outros recursos de acessibilidade. É preciso exigir do poder público esses direitos, assim como ônibus com elevador e atenção do profissional para parar no ponto quando houver idoso com passe livre, assim como esperá-lo se acomodar, para arrancar o veículo, para evitar quedas. Em lugar civilizado, a mobilidade funciona assim.
