O novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa Folha – Aurélio – Folha de São Paulo, de 1995 diz que "sutileza é a qualidade do sutil; delicadeza, finura, tenuidade; penetração de espírito; talento; dito ou argumento de alguém com o fim de embaraçar outrem, ou que o embaraça".
O autor Aurélio Buarque de Holanda Ferreira foi da Academia Brasileira de Letras, da Academia de Ciências de Lisboa, da Academia Brasileira de Filologia e The Hispanic Society of América.
Pensemos nesses conceitos. Sutil é delicado, leve, suave, de difícil percepção. Pode estar na intenção do olhar, na ligeira expressividade da face ou do corpo, em um sabor, em um perfume, em uma música de fundo, em um sentimento. O que é discreto poderá ser sutil. O bater de asas de uma borboleta sim, é sutil, mas a passagem de um helicóptero nunca será sutil.
O roçar de mãos é um gesto sutil, o primeiro sinal de aproximação corporal, que poderá ser seguido por um beijo suave nos lábios. Há quem não goste, pois faz contraponto com a sofreguidão dos casais recentes nas novelas, como se no mundo real a intimidade sofresse de desespero. Não sofre.
Delicadeza e finura podem estar em um tecido macio, transparente, suave ao toque. Pode ser um tule sobre uma face. Ser delicado é, em vários momentos, gesto importante na aproximação de corpos. Um tocar quase imperceptível poderá causar a emoção de um rufar de tambores.
Tênue é algo fraco, leve, como, por exemplo, "sol tênue da manhã".
Uma fala inteligente, inundada de sutileza acaricia a mente, afaga o espírito, aproxima pessoas. Não precisa vir carregada de mistério, nem mesmo ser um enigma, charada ou quebra-cabeça. É um dar a entender em tom suave, voz mansa, envolvente, quase um sussurro, se houver intenção de sedução. Não precisa dizer muito, pois, poucas palavras somadas ao olhar, mais a expressividade corporal, até em idioma desconhecido, poderão ser compreendidas e possuir efeito estimulante.
Há os que têm talento inquestionável na missão de se comunicar. Isso ocorre mais facilmente quando a pessoa também tem carisma, característica difícil de se explicar. Os que não a têm nem sabem disso, mas possuem estampa estéril, insossa, morna.
A fala coberta de sutileza, segundo o Aurélio, poderá deixar a pessoa que a ouve embaraçada. Parece que algo foi dito, e foi mesmo, porém, a intenção avança para além das palavras.
Estamos carentes de sutilezas. Poucos sabem falar assim, especialmente nas redes virtuais, onde, junto com a mentira, prevalece a estupidez, assim, é preciso falar no tema para melhorar as experiências de aproximação e até mesmo de ruptura. Um afastamento sem palavras diz mais que um gesto discreto ou palavras dramáticas.
Nas entrelinhas da sutileza mora um universo de encontros e desencontros a ser desbravado. Seja sutil na fala, quando souber que despertará emoção, porque a sensibilidade daquela pessoa pode estar com febre, e um ruído fará levantar labaredas. A qualquer momento, a delicadeza do sutil fará bem a quem pode usufrui-la. Seja delicado para não acordar fantasmas! Os seus e os do outro.
