Mara Narciso

Saia

Publicado em 03/08/2026 às 19:00.

Saia é peça do vestuário feminino, mas essa é uma verdade relativa, porque depende da época e do lugar.

Como a imaginamos, a saia não existia na época das cavernas. Nos tempos antigos, cobriam-se o corpo com panos soltos, numa espécie de túnica; depois, homens e mulheres de posses usavam roupas pesadas e desconfortáveis.

As roupas masculinas se simplificaram antes das femininas. A regra é esconder e regular o corpo da mulher. As vestes limitam a liberdade de ela andar, como burca, saias longas, quimonos peados, e até mesmo véus.

Os pés de lótus são deformidades causadas pelo enfaixamento dos pés de meninas pequenas, com os dedos dobrados para baixo da sola, para forçar passinhos curtos e impedir andar distâncias; vigorou na China por quase mil anos. Como correr na chuva? Como fugir de um terremoto? Roupas e pés deixavam as mulheres lentas e dependentes.

As mocinhas nos filmes de cowboy ficavam para trás, caíam a toda hora, choravam sem motivo e atrapalhavam as fugas. As saias daquela época eram rodadas e longas e as roupas masculinas eram leves, calça e camisa, assemelhando-se às vestes atuais.

As roupas estão em constante transformação e assim, mudam de forma e comprimento. A minissaia apareceu na década de 1960, com a barra bem acima dos joelhos, e depois veio a microssaia. Alguns maridos proíbem coxas de fora, mas também se vê por aí shorts e microshorts entre as casadas.

O biquini moderno, criado em 1946, foi se reduzindo ao ponto de a peça que não ter como ficar menor, dando lugar a modelos com mais tecido; a saia também ganhou mais comprimento, e anda circulando com todas as modalidades de barras e rodas.

Houve um tempo em que as mulheres se decidiram, quase exclusivamente, pelas calças compridas, mas, no começo – 1934 – mulher usar calças jeans era um escândalo, e em outro, quase uma obrigação. As calças compridas, especialmente as jeans, dão extrema liberdade e confiança à mulher. 

Exceção: Maria do Rosário de Souza Narciso, nascida em 1910, nunca usou calças compridas. Chegou a experimentar uma delas, marrom, frouxa e reta, em sua casa, mas não quis aparecer aos olhos da rua.

Certas denominações religiosas obrigam a mulher a usar só vestidos de mangas, sem nenhum adorno e compridos, crendo que a dignidade esteja no comprimento da saia. Com a volta atual do uso quase exclusivo de vestidos e saias, quem usa roupa por determinação alheia deve estar feliz com a boa oferta de modelos, ainda que a maioria seja de alcinha e decote.

O vestido ou a saia e blusa dão leveza e delicadeza, tornando a mulher mais feminina. Os modelos longos são mais elegantes, mas podem trazer o incômodo de atrapalhar subir escadas, fato comum em casamentos, assim como quase impedir andar em caso de chuva.

Para convencer a mulher a largar seu dueto jeans e camiseta a presenteiam com vestidos. Podem-se gostar deles, desde que não sejam para caminhar depressa e por maiores distâncias, pois andar com o tecido se agarrando às pernas a cada passo é um atraso, se não de vida, certamente nos compromissos. Nessa situação a mulher se torna um objeto vulnerável.

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